Literatura

Análise e resumo do livro Capitães da Areia

Em 1937 Jorge Amado escreveu o romance Capitães da Areia, retratando a vida de garotos menores de idade, que foram abandonados. Conheça a história de Pedro Bala e Dora principalmente.

Nós da equipe Beduka apresentamos agora o resumo do livro Capitães da Areia (1937) de Jorge Amado (1912 – 2001). Você sabia que muito provavelmente ele será um dos livros cobrados no Enem? Pois então não fique para trás e já se adiante. Na sequência temos também a análise do livro Capitães da Areia.

Ao final do artigo teste seu conhecimento com algumas questões de vestibular sobre Capitães da areia. Boa leitura!

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Pedro Bala e Dora no resumo do romance de capitães de areia de Jorge Amado

Resumo de Capitães da areia

Nesta obra você conhecerá um grupo de garotos. Eles são os capitães da areia, porque vivem perto do mar, tendo transformado em casa um armazém abandonado que recebeu o nome de Trapiche.

São mais de 100 meninos abandonados, órfãos ou fugidos, que vivem do roubo na cidade de Salvador, na Bahia. Entre eles há companheirismo e eles se comportam como pequenos “Robin Hoods”, roubando dos mais ricos e partilhando entre eles o que conseguiram com os furtos.

Grupo dos meninos abandonados na Bahia em Capitães da areia de Jorge Amado

Apesar de serem crianças e adolescentes, são inteligentes, já vivem como homens, não conversam como meninos, deitam-se com mulheres, fumam e bebem cerveja.

Porém, um capítulo muito marcante, mostra como apesar de tudo o que acontece a eles, e de como são retratados pela mídia em Salvador, realmente ainda são crianças.

Isso fica nítido quando alguns deles passam a trabalhar no carrossel da cidade, cuidando de seu funcionamento.

A narrativa é construída a partir de notícias de jornal que falam sobre essas crianças que são um problema de criminalidade na cidade. Neste resumo de Capitães da areia é com você saber que os primeiros 11 capítulos tem uma lógica parecida com a de Vidas Secas, pois há um retrato da sociedade onde as ações das personagens constroem o enredo. Há também publicações de cartas.

Por exemplo, há cartas da polícia dizendo que o problema é do juizado de menores, deste dizendo que se a polícia não os prender eles nada podem fazer, de uma mãe que revela os horrores e abusos que acontecem no reformatório (lugar horrível) e também de um padre que confirma que lá não é um bom lugar.

Com tantas denúncias o diretor do reformatório resolve também escrever, desmentindo a todos e convidando os jornalistas a visitarem o local em dia e hora marcados. Pouco depois os jornalistas escrevem uma matéria elogiando o local, como um lugar que realmente reforma as crianças e as fazem sair de lá muito bem. Pura mentira!

Cada menino vive um drama diferente, cada um sente falta de afeto e tenta à sua maneira encontrar algum conforto. Eles têm apelidos que revelam suas características e sonhos que querem realizar. Seus nomes dialogam com suas ações. Vamos citar alguns exemplos neste resumo de Capitães da areia.

Os personagens: Quem são os capitães da areia?

Pirulito é um garoto magro e cabeçudo, é muito ligado à religião e por isso deseja se tornar padre.

Professor é o menino que mais lê, faz isso para contar histórias para os outros.

Gato é o mais bonito e sedutor do bando, envolve-se com uma prostituta chamada Dalva e depois torna-se inclusive cafetão dela.

Sem pernas é o mais amargo, com mais ódio. Ele possui uma deficiência na perna e se arrasta. No grupo tinha a missão de se infiltrar nas casas dos ricos para averiguar oportunidades de roubo. Seu fim foi o suicídio.

Pedro bala é o grande capitão, é pequeno, mas como está em seu apelido, é ágil como uma bala. Venceu a briga com o antigo líder do grupo e se tornou o cabeça. Com seu espírito de líder e sendo justo, tornou-se preocupado com a causa social.

Pedro Bala líder dos capitães da areia no resumo e análise do Beduka

No Trapiche havia regras, por exemplo, era proibido roubar os próprios companheiros lá onde constituíam uma única grande família. Pedro bala expulsava quem descumprisse isso.

Bem marcante é o momento em que surge a primeira capitã da areia: Dora! Ela é uma menina de 14 anos que cuida de seu irmãozinho de 6. Eles perderam os pais para a varíola e são levados para o Trapiche.

Dora a única capitã da areia no resumo de Jorge Amado do Beduka

Os outros garotos até pensam que ela está lá para ser abusada, mas ela age com doçura, sendo a mãe, a irmã e a companheira deles. Não demorou a conquistá-los, e tornar-se a noiva de Pedro Bala.

Realismo da obra

Os capitães da areia de Jorge Amado Resumo Beduka

Tudo é descrito com bastante realismo. Jorge amado escreveu sem se importar se doeria a alguém fazer a leitura. Quando Pedro Bala foi pego e levado para o reformatório, por exemplo, tudo o que aconteceu com ele lá foi descrito com detalhes gráficos.

São crianças que roubam por falta de alternativa, afinal de contas não tem pais, nem governo que os ajude. Eles juntos são uma família e a liberdade é o bem maior que eles têm, além de um ao outro. Poucos são os personagens que os ajudam, como o bondoso padre José Pedro.

A narrativa se encerra com Pedro Bala sendo preso e amordaçado em um dos crimes. Além disso, Dora é enviada para um orfanato. Tendo saído da cadeia Pedro junta o seu bando e vai até Dora salvá-la. Eles têm uma noite mágica, se casam simbolicamente e até se deitam juntos. No dia seguinte porém, Dora não acorda, já vinha adoentada e acaba morrendo.

Este resumo de Capitães da areia foi útil? Fale com a gente. Ah, e continue a leitura!

Análise de Capitães da areia

Capitães da areia de Jorge amado é um romance proletário. O autor era comunista, e escreveu durante a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas. Este seu livro foi inclusive queimado em praça pública. Pertence à segunda geração modernista (1930 – 1945), na qual o foco é a condição humana e a crítica social.

Trata-se de uma fase do próprio Jorge amado em que ele escrevia com descritivismo denunciando o abandono, a marginalização e os reformatórios que não reformavam. Ele não escrevia sobre um país idealizado, mas o Brasil como ele o via.

Percebemos que os temas são o banditismo gerado pela marginalização, a mídia sensacionalista e o socialismo que os meninos vivem entre si no Trapiche. O personagem principal é o coletivo, o bando, os capitães…

Percebemos também um rompimento com o naturalismo que conduzia a um determinismo social, de que as pessoas não podem mudar. Os meninos, mesmo degradados pelo meio, têm sonhos e vão em busca de realizá-los.

O narrador é onisciente em terceira pessoa, não sendo nada imparcial, com visão lírica, o que gera uma interessante contraposição. Para ele, os meninos são heróis, vítimas das circunstâncias. A visão nesse caso é social e coletivista.

Já a visão midiática é elitista, ligada ao capital e focada no individualismo.

São temas ainda atuais, certo? Se gostou de ler a análise e o resumo de Capitães da areia, basta acessar este link para ter acesso ao PDF do livro.

Você sabia que também há um filme inspirado nessa obra no youtube?
Inclusive a trilha sonora é original de Carlinhos Brown.

Capitães de areia- filme completo

Veja trailer o trailer:

Jorge Amado

Jorge amado autor de Capitães da Areia Resumo e Análise do Beduka

Jorge Leal Amado de Faria é um dos escritores brasileiros mais famosos. Foi também jornalista e político. Nasceu e vivei na Bahia e não só escreveu como também fez sucesso no teatro, no cinema e na televisão. Trata-se de um autor que integrou o PCB (Partido Comunista Brasileiro), mas que o deixou quando percebeu as falhas desse sistema.

Outros 2 de seus sucessos mais conhecidos são: Dona Flor e Seus Dois Maridos e Gabriela, Cravo e Canela.

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Se você estiver precisando da análise e resumo de de outros livros, deixe nos comentários. Já temos outros preparados, basta conferir nossa lista com as dicas dos livros do Enem 2018 neste link.

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Confira ainda:

Questões de vestibular sobre Capitães da Areia de Jorge Amado

1 – (UFR-RJ) O preto Henrique tomou o caneco das mãos da preta velha e bebeu dois tragos.

– Ainda tá quente, meu filho? É o restinho…

– Tá, tia. Bota mais.

Quando acabou, disse:

– Você lembra dessas histórias que você sabe, minha tia?

– Que histórias?

– Essas histórias de escravidão…

– O que é que tem?

– Você vai esquecer elas todas.

– Quando?

– No dia em que nós for dono disso…

– Dono de quê?

– Disso tudo… Da Bahia… do Brasil…

– Como é isso, meu filho?

– Quando a gente não quiser mais ser escravo dos ricos, titia, e acabar com eles…

– Quem é que vai fazer feitiço tão grande pros ricos ficar tudo pobre?

– Os pobres mesmo, titia.

– Negro é escravo. Negro não briga com branco. Branco é senhor dele.

– O negro é liberto, tia.

– Eu sei. Foi a Princesa Isabel, no tempo do Imperador. Mas negro continua a

respeitar o branco…

– Mas a gente agora livra o preto de vez, velha.

– Você sabe qual é a coisa mais melhor do mundo, Henrique?

– Não.

– Não sabe o que é? É cavalo. Se não fosse cavalo, branco montava em negro…

Fonte: AMADO, Jorge. Suor. Rio de Janeiro: Record, 1984, 43. ed., p. 43-44. Adaptado.

O cenário predominante na obra do escritor Jorge Amado é o estado da Bahia. Sua produção é dividida pelos críticos literários em várias fases. O texto lido pode ser enquadrado na fase:

a) do romance proletário, que denuncia a miséria e a opressão das classes populares.

b) dos depoimentos sentimentais, baseados em rixas e amores de marinheiros.

c) de pregação partidária, que inclui biografias de pessoas defensoras de maior justiça social.

d) de textos de tom épico, que retratam as lutas entre coronéis e trabalhadores da região do cacau.

e) do relato de costumes provincianos, que mostram o lado pitoresco do povo baiano.

2- (ENEM 2010)

Texto I

Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava.

Estranhas coisas entraram então para o trapiche. Não mais estranhas, porém, que aqueles meninos, moleques de todas as cores e de idades as mais variadas, desde os nove aos dezesseis anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam, indiferentes ao vento que circundava o casarão uivando, indiferentes à chuva que muitas vezes os lavava, mas com os olhos puxados para as luzes dos navios, com os ouvidos presos às canções que vinham das embarcações…

Fonte: AMADO, J. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento).

Texto II

À margem esquerda do rio Belém, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho ingazeiro – ali os bêbados são felizes. Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas necessidades de cachaça e pirão. No trivial contentavam-se com as sobras do mercado.

Fonte: TREVISAN, D. 35 noites de paixão: contos escolhidos. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009 (fragmento).

Sob diferentes perspectivas, os fragmentos citados são exemplos de uma abordagem literária recorrente na literatura brasileira do século XX. Em ambos os textos,

a) a linguagem afetiva aproxima os narradores dos personagens marginalizados.

b) a ironia marca o distanciamento dos narradores em relação aos personagens.

c) o detalhamento do cotidiano dos personagens revela a sua origem social.

d) o espaço onde vivem os personagens é uma das marcas de sua exclusão.

e) a crítica à indiferença da sociedade pelos marginalizados é direta.

3 – (ITA) Sobre o romance “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, é INCORRETO afirmar que:

a) se trata de um livro cuja personagem central é coletiva, um grupo de meninos de rua, e isso o aproxima de “O cortiço”, de Aluísio Azevedo.

b) as principais personagens masculinas são Pedro Bala, Sem Pernas, Volta Seca, Pirulito e Professor, e a figura feminina central é Dora.

c) há uma certa herança naturalista, visível na precoce e promíscua vida sexual dos adolescentes.

d) os vestígios românticos aparecem em algumas cenas de jogos e brincadeiras infantis e na caracterização de Dora.

e) todos os meninos acabam encontrando um bom rumo na vida, apesar das dificuldades.

Gabarito:

1 – a

2 – d

3 – e

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