Literatura

Resumo de Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa + Análise

Resumo de Grande Sertão VeredasResumo de Grande Sertão Veredas

Grande Sertão Veredas é um livro de Guimarães Rosa publicado em 1956. A obra é um romance experimental modernista e uma das mais cotadas para cair nos principais vestibulares. Fizemos o resumo de Grande Sertão Veredas, de João Guimarães Rosa, para você.

Rosa, foi um mineiro, médico, diplomata e escritor. Proeminente representante do modernismo brasileiro.

A obra Grande Sertão Veredas foi publicada pela primeira vez em 1956, tornando-se imediatamente conhecida e traduzida para outras línguas tamanho o sucesso.

Além do resumo de Grande Sertão Veredas, também fizemos o resumo de Sagarana, igualmente de João Guimarães Rosa. Não só estes, veja ainda a lista completa com os resumos e análises de outras obras de literatura muito cobradas no ENEM e nos vestibulares.

Confira agora o resumo e na sequência a análise.

Resumo de Grande Sertão Veredas

Riobaldo é um ex-jagunço em idade avançada contando uma história para um interlocutor. Ele inicia uma narrativa longa sobre o tempo em que fora jagunço e pertencia a bandos, e percorria o sertão, pilhando cidades, lutando, matando, fugindo da polícia.

Segundo relata, são três dias para contar a história de sua vida com suas lutas e medos. Ele aprendeu a ler e a escrever, mas acabou por tornar-se um jagunço apelidado de Tatarana (lagarta de fogo), por causa de sua boa pontaria.

Ele relata muitos fatos com temas profundos, como a origem do homem, reflexões sobre a vida, o bem e o mal, deus e o diabo. Mas ele não relata isso com linearidade, o que torna o relato um pouco bagunçado.

Com a ajuda de um personagem chamado Quelemém de Góis ele consegue iniciar a narrativa.

Como tudo começou

Acompanhe abaixo um resumo de Grande Sertão Veredas mais detalhado.

Riobaldo teve vida difícil com a mãe. Quando ela faleceu ele foi morar com o padrinho Selorico Mendes na fazenda São Gregório, suas terras futuras. Nesse período conheceu Joca Ramiro, chefe dos jagunços e homem de fibra que ele passou a admirar.

Um das missões que recebeu foi a de ensinar um dono de terras do lugar, chamado Zé Bebelo. Este senhor tinha pretensões políticas e queria acabar com a jagunçagem.

Riobaldo entrou para o bando desse fazendeiro, guerreou contra o grupo de jagunços de Hermógenes e venceu. Porém, deixou o grupo de Zé Bebelo para pertencer ao grupo de Joca Ramiro, cuja fama era de homem virtuoso, grande guerreiro, líder sábio, justo e corajoso.

A amizade com Reinaldo, o Diadorim

Reinaldo, cujo verdadeiro nome era Diadorim pertencia a este grupo de Joca Ramiro e a amizade dele com Riobaldo só se fortalecia. Eles já se conheciam de criança, pois Riobaldo o salvara de ser violentado e os dois fizeram uma marcante travessia no rio São Francisco em uma pequena canoa (metáfora da travessia que é a vida humana nesse mundão).

Ele não só deixou o grupo de Zé Bebelo, como contra ele lutou também. Joca Ramiro porém não permite que Zé Bebelo seja sentenciado à morte e é apenas exilado.

O grupo se espalha e Riobaldo e Diadorim juntam-se ao grupo liderado pelo jagunço Tião dos Passos.

A segunda guerra dos jagunços

Continuando o resumo de Grande Sertão Veredas, vemos que após um tempo de paz os jagunços são obrigados a lutar novamente, desta vez contra os “judas”, que eram jagunços que haviam traído e assassinado Joca Ramiro. Eram Hermógenes e Ricardão.

Riobaldo chega mesmo a fazer um pacto com o demônio num local chamado Veredas-Mortas para conseguirem vencer o bando de Hermógenes, o personagem mais odiado por Riobaldo, a personificação do mal. Riobaldo se tornou o chefe dos jagunços, chamado Urutu-Branco.

Ele chegou com o bando na Bahia, terra onde estava a fazenda de Hermógenes, mas não o encontrou. Porém se depararam com o grupo de Ricardão e o matam.

Quando encontram o grupo de Hermógenes a batalha é sangrenta e num lugar chamado Paredão Diadorim morre em batalha com Hermógenes, mas também o matando. Por fim, Riobaldo descobre que Diadorim é a filha de Joca Ramiro, chamada Maria Deadorina da Fé Bittancourt Marins.

Não pense que este resumo de Grande Sertão Veredas revela praticamente a história toda, são muitos acontecimentos e a obra vale muito á pena ser lida. Acesse aqui o pdf da obra.

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Conclusão do resumo de Grande Sertão Veredas

Vimos no resumo de Grande Sertão Veredas, que se trata de um romance de guerra e amor. Aborda questões ligadas ao acaso da vida, ao destino, se a existência é planejada por nós ou não, se temos poder sobre nossa história, se podemos mudar nossos caminhos…

Grande Sertão Veredas permite inúmeras análises literárias, já que é uma obra abrangente que discute a travessia da vida com todos os seus conflitos e labirintos diabólicos.

O sertão brasileiro foi palco de muitas revoltas, principalmente no Segundo Reinado de Dom Pedro II. Estude sobre a queda da monarquia no Brasil, conteúdo sempre presente no ENEM e nos vestibulares.

ANÁLISE de Grande Sertão Veredas

Antes da análise, que tal o próprio autor falando da obra?

Para sua surpresa são mais de 600 páginas sem capítulos, apenas dividia em dois volumes. Trata-se de uma narrativa do pós-modernismo da geração de 45. Foi o único romance de Guimarães Rosa.

O título apresenta uma ideia de duplicidade. O sertão é árido e seco, já as veredas são pequenos rios. Veredas também possui duplo sentido, pois é o lugar onde habita a sucuri e nelas se pode afundar.

Essa duplicidade já denotada no título é percebida ao longo da obra e neste resumo de Grande Sertão Veredas te ajudaremos a reconhecer isso. As memórias relatadas são de luta e de amor. Sobre as batalhas de jagunçagem e sobre o amor torto por Maria Deodorina, que se vestia de homem para estar entre os jagunços.

Mais exemplos de dualidades na obra:

O passado tem um poder de corroer a memória que causa confusão nos acontecimentos na mente do narrador. Riobaldo não consegue separar o falso do verdadeiro, o vivido do imaginado.

Diadorim representa a presença da dualidade também. Ele é, simultaneamente, a representação do masculino e do feminino, do celeste e do demoníaco, da certeza e da dúvida.

Suas características impressionavam Riobaldo e exerciam sobre ele muita admiração:

“Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Digo o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego”.

Narrativa em Grande Sertão Veredas

A narrativa é um monólogo e também um diálogo. É uma obra estranha na forma, por ser um livro contado oralmente, como um discurso. Parece um monólogo, mas há algumas interferências do interlocutor.

A opção pelo “monólogo” que trás as memórias à tona com uma distribuição desordenada das sequências dos fatos, num ritmo fragmentário e caótico conferem ao narrador um poder mágico na linguagem.

Rosa utilizou-se do discurso direto e indireto livre.

Trata-se de um homem do sertão contando a história de sua vida para alguém que tem óculos e que anota. Seria um alter ego (um outro “eu”) do Guimarães? Ou é um analista anotando uma sessão de análise onde o jagunço tenta entender a si mesmo?

Como é que se narra uma vida que se faz no exato momento em que ela está sendo narrada? Ela começa a existir quando o jagunço começa a encaixar as palavras e dar nome ao que viveu. O resgate da palavra faz o sujeito existir, afinal somos seres de linguagem.

Narrador – Riobaldo Tatarana

O narrador é o personagem principal, e conta tudo em primeira pessoa. Sua narração é como o próprio sertão: labiríntica, com muitas digressões. Ele conta sua história a alguém não identificado. Por algumas pistas infere-se que é um jovem doutor, que porém não tem falas.

Linguagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas

A linguagem constitui um universo, reinventa a vida dos sertanejos, suas falas, tristezas, alegrias e descobertas.

Como é comum em Rosa e já é mesmo de se esperar, no início não é muito fácil fazer a leitura. Há muitas palavras diferentes e inventadas. Além disso ele escreveu segundo a oralidade, ou seja, como se fala.

A obra é repleta de neologismos, arcaísmos e brasileirismos.

Confira abaixo, neste resumo de Grande Sertão Veredas, alguns trechos do livro para perceber como o autor se expressava.

O diabo existe e não existe. Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso…

Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vaivem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor.”

João Guimarães Rosa conseguiu fundir uma linguagem experimental com metáforas às expressões linguísticas regionais bem típicas do sertão, principalmente o mineiro.

Aprenda a usar corretamente a crase: Uso da crase.

E veja quais são as principais figuras de linguagem.

Análise do tempo em Grande Sertão Veredas

O tempo é psicológico e não cronológico.

Há dificuldade na compreensão da passagem do tempo, principalmente pelo fato do romance não ser dividido em capítulos e pelo fato do narrador misturar muitos acontecimentos de tempos diferentes enquanto fala.

Riobaldo não segue uma linearidade, antes segue suas memórias.

  • Num primeiro momento os personagens e o local são introduzidos.
  • Num segundo momento, já o meio da narrativa, é relatada a segunda guerra dos jagunços.
  • Num terceiro momento Riobaldo volta a falar de sua juventude, contando sobre quando conheceu “Reinaldo” e tentou atravessar o grande rio São Francisco numa pequena embarcação.
  • Num quarto momento vemos o conflito com Zé Bebelo e a transformação de Riobaldo Tatarana em Urutu Branco, após o pacto fáustico.
  • Num quinto momento ele retoma a linearidade, fala do seu casamento com Otacília e sobre as terras do padrinho que lhe ficam de herança. A narrativa termina com a palavra travessia, seguida do símbolo do infinito.

Espaço: De qual sertão se fala em Grande Sertão Veredas?

Trata-se dos sertões de Goiás, de Minas Gerais e do sul Bahia, em toda a sua aridez e dificuldade, assim como a leitura da narrativa cheia de digressões e palavras estranhas. É a metáfora da vida, da travessia que é viver neste mundo.

Rosa usa do sertão para falar da relação do ser humano com o mundo, já que retrata o sertão como um mundo próprio, mítico, ativo e interativo.

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Sobre o regionalismo: Guimarães Rosa é regionalista?

João Guimarães Rosa não é propriamente um regionalista e isso fica claro no resumo de Grande Sertão Veredas.

Ele faz o que não se dá entre os regionalistas: acrescenta temas universais da literatura e problemas universais da natureza humana em seus personagens sertanejos. Logo, não aborda somente os problemas e o tipo de vida regionais.

É regionalismo não pelo tema, mas pelo romance, pelo formato. Ele retomou uma tendência cansada da literatura, justamente o regionalismo nos seguintes aspectos: o pitoresco na linguagem, o arcaísmo, o tema caipira, o tema jagunço, o tema caboclo. Tudo isso já havia sido muito trabalhado.

Mesmo a linguagem não era regionalista, porque não era documentária. Ela era plantada na região, mas vinculada ao passado da língua junto de suas próprias criações.

Para Guimarães Rosa o problema fundamental do homem era saber se Deus existe ou não. No resumo de Grande Sertão Veredas vemos também, que Riobaldo reflete muito na existência ou não do diabo.

Na obra não há determinismo. O homem faz o meio mais do que é feito por ele. No Sertão o homem se faz mais forte que o poder do lugar. Mas há uma ambiguidade, pois o homem sente que foi um joguete.

O jagunço de Rosa é uma forma de ser homem. Um modelo ontológico que supera o sertanejo e toca todo ser humano. Há um plano psicológico forte. O que é o ser humano no sertão vivendo a guerra e fazendo reflexões filosóficas?

Fechado nesse universo do sertão, com exuberância verbal (mesmo o regionalismo sendo considerado ruim e pitoresco), ele faz algo novo e universal com os problemas do homem. Antonio Candido, estudioso de Guimarães Rosa, considera isso o transregionalismo, ou seja, o regionalismo que ao mesmo tempo supera a si mesmo.

Sobre as mulheres em Grande Sertão Veredas, os amores de Riobaldo

Destacamos três:

  • O amor torto e impossível é o por Diadorim. O jagunço, que admirava e cultivava um terno laço com Diadorim, perturbava-se com toda aquela relação. Como poderia entender que amava outro jagunço, cujos olhos verdes o queimavam?

Ainda assim alimentava essa amizade com uma pureza que ia contra toda a rudeza do sertão. Este amor se confirmou quando Riobaldo descobriu a verdadeira identidade do “amigo”.

  • O amor carnal se dá pela prostituta Nhorinhá
  • O amor verdadeiro e de pureza se dá por Otacília, com quem Riobaldo se casa.

O pacto fáustico

Este é um dos aspectos mais importantes que ressaltamos neste resumo de Grande Sertão Veredas, nesta parte de análise.

Riobaldo faz um pacto fáustico. Essa é uma referência a outra obra clássica da literatura mundial: Doutor Fausto. Nesta obra há um pacto com o diabo por parte do doutor.

Há a presença do diabo na vida de Riobaldo também. É o fausto brasileiro.

O jagunço fez um pacto com o diabo, vendeu sua alma. Ainda assim, o livro é permeado pela dúvida da existência do diabo e fica ao cargo do leitor interpretar e refletir se houve realmente um pacto.

Riobaldo toma conhecimento de uma vereda chamada Veredas-Mortas e vai até lá para encontrar o “bicho”. Isso representa o impossível tornando-se possível. Ao contar a história de sua vida, Riobaldo reflete se realmente fez esse pacto, reflete se realmente o diabo existe.

Curiosidades: as adaptações de Grande Sertão Veredas

  • A obra também se tornou minissérie. Produção da Rede Globo, escrita em 1985 por Walter George Durst e dirigida por Walter Avancini.

Existe um curta sobre isso também. Por ele dá pra ver o principal da obra no tempo de uma cena do filme:

Outros resumos:

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