Redação

Como usar o Big Brother na redação do Enem? 

Vamos ser honestos: você provavelmente já viu alguém sendo “cancelado” no Big Brother Brasil, ou pelo menos acompanhou a repercussão nas redes. 

E, se parar pra pensar dois segundos, aquilo ali não fica só no programa. A mesma lógica acontece fora: alguém fala algo, algum recorte acaba viralizando, as pessoas começam a tomar partido… e pronto, a narrativa já está formada. 

É exatamente esse tipo de conexão que pode render uma boa redação no Enem. 

O problema é que muita gente tenta usar o Big Brother de um jeito meio automático, cita o programa e acha que isso já basta. Mas o corretor não quer saber se você assiste reality show, ele quer ver se você entende o que aquilo revela sobre a sociedade. 

E é exatamente essa a visão que vamos te ajudar a construir ao longo deste artigo. 

Antes de tudo: por que o Big Brother funciona como repertório? 

Porque ele é, na prática, um recorte exagerado da vida real. 

No Big Brother Brasil, tudo é intensificado: convivência, conflito, julgamento, exposição. Mas os mecanismos são os mesmos que a gente vê fora da casa. 

Tem gente tentando se encaixar, tem pressão de grupo, tem medo de rejeição, tem necessidade de aprovação. E, principalmente, tem o olhar constante e “julgador” do público. 

Quando você enxerga isso, o programa deixa de ser só entretenimento e vira um exemplo social. 

O erro mais comum (e que derruba muita redação) 

O aluno descreve, mas não faz a análise.  Algo assim: “No Big Brother, os participantes brigam e são julgados.” 

Isso não acrescenta nada porque é óbvio demais.  Agora olha a diferença quando há interpretação: 

“No Big Brother Brasil, participantes são frequentemente julgados pelo público a partir de recortes limitados de suas atitudes, o que evidencia uma tendência social ao julgamento precipitado, também observada nas redes digitais.” 

Percebe a diferença? Aqui você mostra o que o exemplo significa, e é isso que o avaliador do Enem leva em consideração. 

Como puxar argumento a partir do Big Brother? 

Em vez de pensar “vou falar do BBB”, pensa assim: o que isso prova? E isso não é só teoria, dá pra ver acontecendo na prática. 

Se você olhar com mais atenção, o Big Brother Brasil já expôs várias situações que aparecem direto em temas do Enem

Relações interpessoais, por exemplo, ficam muito mais intensas ali dentro. Situações como o luto vivido por participantes diante de milhões de espectadores levantam uma questão importante: até que ponto sentimentos íntimos deixam de ser pessoais e passam a virar espetáculo? 

Além disso, o programa também evidencia a quebra, ou reforço, de estereótipos. O último caso mais comentado é o de Ana Paula Renault, que fugiu da expectativa da mulher sempre contida e “politicamente correta”.  

A repercussão do comportamento da jornalista mostrou como essas expectativas ainda são fortes, mas também como elas podem ser questionadas e até quebradas.  

Nesse cenário, aparece uma vencedora que não se encaixa no papel de vítima, mas como alguém que passa a ter um olhar mais consciente sobre o próprio lugar de privilégio. Algo que dialoga bem com discussões que costumam aparecer no Exame Nacional do Ensino Médio. 

No fim, tudo isso transforma o programa em um tipo de experimento social. Revelando padrões de julgamento e expectativas sociais. Confira alguns aspectos que valem a pena ser analisados:

1 – Julgamento rápido e cancelamento 

Uma fala isolada vira motivo para rejeição em massa. Isso conversa direto com temas sobre 

cultura do cancelamento. 

Você pode mostrar que as pessoas não analisam o contexto, apenas reagem a ele.

TikTok do Beduka

2 – Pressão do grupo 

Dentro da casa, muita gente acaba mudando de comportamento para não ser excluída do grupo. Isso ajuda a discutir ideias como conformismo social, medo de rejeição ou até falta de pensamento crítico.  

Em muitos casos, quem não chega a vencer o jogo parece estar mais preocupado com as relações imediatas dentro da casa, essa convivência social direta, do que com a imagem construída para o público aqui fora. 

No fim, isso levanta uma dúvida que fica cada vez mais difícil de ignorar: até que ponto estamos realmente conhecendo o lado real das pessoas?  

Ou será que, diante das câmeras, elas acabam se perdendo em versões de si mesmas, em “personagens” que nem sempre são aceitos pelo público? 

3 – Exposição constante 

Tudo vira espetáculo e tudo vira conteúdo. Aqui entra uma conexão interessante com Guy Debord, que já discutia como a vida moderna gira em torno da visibilidade e da aparência

O Big Brother só escancara isso. 

Onde isso encaixa na redação? 

Você não precisa (nem deve) construir o texto inteiro em cima disso. 

O melhor lugar costuma ser: 

  • no desenvolvimento, como exemplo que reforça um argumento 
  • ou na introdução, se você souber usar de forma mais geral 

Ele funciona como aquele repertório que aproxima o texto da realidade para deixá-lo menos genérico. 

Um exemplo mais “cara de nota alta” 

Imagina um tema sobre julgamento nas redes sociais. Você poderia escrever algo assim: 

“A dinâmica de julgamento coletivo presente na sociedade contemporânea pode ser observada em programas como o Big Brother Brasil, nos quais participantes são rapidamente rotulados pelo público com base em fragmentos de suas ações. Esse comportamento reflete a lógica das redes sociais, em que a análise crítica é frequentemente substituída por reações imediatas.” 

Ou seja, você exemplificou mostrando como o programa funciona e é recebido pelo público. Nada de que faça o avaliador pensar que você está apenas “enchendo linguiça”. Logo, é uma ótima forma de usar o Big Brother na redação do Enem. 

Dá pra confiar só nisso? 

Não é uma boa ideia. 

O Big Brother ajuda, mas, sozinho, não sustenta uma redação inteira. O ideal é combinar com outros repertórios

  • um pensador 
  • um dado 
  • uma lei 
  • ou outro exemplo social 

Isso mostra repertório mais amplo. 

Quer um exemplo de como usar o Big Brother Brasil na redação do Enem, reforçando a ideia com outros repertórios? Dá até pra relacionar com a lógica de “pão e circo”, no sentido de como o entretenimento pode distrair a atenção do público enquanto questões sociais mais profundas ficam em segundo plano. 

Algo que já era discutido na Roma Antiga e ainda aparece, de forma adaptada, na sociedade atual. 

No fim das contas… 

Usar o Big Brother Brasil na redação não é sobre parecer “diferentão”. É sobre mostrar que você consegue olhar para algo comum e conseguir percorrer várias vertentes de análises através do mesmo tema (um reality show).

E isso, no Enem, vale muito mais do que sair citando coisa difícil sem conexão. 

Sabendo de tudo isso, que tal começar a treinar? Além dessa temática, temos outras que podem te ajudar: 

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Bons estudos!  

Redação Beduka
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