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O que é estrutura geológica? Tipos, características e tudo para o Enem

O que são estruturas geológicasO que são estruturas geológicas?

Você já se perguntou por que o Brasil tem ferro em abundância no estado de Minas Gerais, petróleo no litoral do Rio de Janeiro e não tem terremotos nem vulcões ativos? A resposta para tudo isso passa por um conceito central da Geografia Física: a estrutura geológica.

Compreender essa noção é fundamental para o Enem e os vestibulares, pois ela conecta o solo sob nossos pés aos recursos minerais, ao relevo e até aos riscos naturais de cada região do planeta.

O que é estrutura geológica?

A estrutura geológica corresponde ao embasamento rochoso que sustenta uma forma de relevo. De maneira simplificada, podemos chamar de estrutura geológica de um local as rochas que o compõem, dispostas em diferentes camadas, tipos e idades, em consequência de diferentes processos geológicos.

É importante não confundir estrutura geológica com relevo. A estrutura geológica refere-se à composição interna de uma determinada área, sua distribuição, idade e o processo geológico que a formou, enquanto o relevo refere-se à forma que a superfície terrestre assume. Em outras palavras: a estrutura geológica é o “esqueleto” rochoso; o relevo é a “pele” que esse esqueleto modela na superfície.

Chamadas também de províncias geológicas, essas imensas estruturas dão origem à camada que denominamos litosfera, a camada rochosa do planeta Terra.

As estruturas geológicas constituem, portanto, um conjunto de rochas e de formações rochosas que se desenvolveram em momentos distintos na escala de tempo geológico, razão pela qual os agentes intempéricos atuaram de maneira diferenciada sobre elas.

Qual a relação entre as placas tectônicas e a estrutura geológica?

Para entender o que é estrutura geológica, é preciso conhecer o mecanismo que as cria: as placas tectônicas.

A litosfera não é contínua; ela é formada por imensos blocos rochosos chamados placas tectônicas. As placas flutuam sobre uma camada de rochas fluidas e quentes, a astenosfera. Os fluxos de materiais na astenosfera geram, por atrito, o deslizamento das placas da litosfera, causando permanentes acomodações imperceptíveis e súbitos rearranjos violentos.

É essa dinâmica que explica por que certas regiões do planeta têm vulcões e terremotos enquanto outras são geologicamente tranquilas. A geologia estrutural estuda o formato dos corpos rochosos, sua distribuição espacial e os processos de deformação que produzem as estruturas geológicas.

É fundamental para compreender os processos de deformação das rochas, sendo aplicada tanto na exploração de recursos minerais e energéticos quanto na avaliação de riscos geológicos.

Quais são os três tipos de estrutura geológica?

A litosfera terrestre se diferencia em três tipos de estruturas geológicas: crátons, dobramentos modernos e bacias sedimentares. Cada um deles tem origem, composição e recursos minerais distintos. Conhecer bem essa tríade é o ponto de partida para qualquer questão sobre relevo ou mineralogia no Enem.

Crátons (Escudos Cristalinos ou Maciços Antigos)

Os crátons são as rochas mais antigas presentes na superfície do planeta Terra. Os registros indicam que elas se formaram nas eras geológicas que se subdividem no período Pré-Cambriano, que aconteceu entre 4,6 bilhões e 541 milhões de anos atrás.

Tamanha antiguidade tem uma consequência direta na paisagem: por conta de sua idade, são os terrenos mais desgastados pelo processo de erosão. Encontram-se no meio das placas tectônicas e, por isso, são tectonicamente estáveis, não estão sujeitos a frequentes abalos sísmicos de grande magnitude nem a vulcanismos.

Do ponto de vista econômico, os crátons são verdadeiros cofres minerais. Os escudos cristalinos abrigam importantes jazidas de minerais metálicos como ferro, manganês, ouro, níquel, nióbio e alumínio. É exatamente por isso que o Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais e a Serra de Carajás no Pará , ambos assentados sobre escudos cristalinos , figuram entre as maiores reservas de minério de ferro do mundo.

Bacias Sedimentares

Se os crátons são os mais antigos, as bacias sedimentares são as estruturas que mais cobrem a superfície terrestre. As bacias sedimentares são composições rochosas formadas a partir da deposição de sedimentos de rochas ao longo das eras. Este é o tipo de estrutura geológica mais encontrado em todo o mundo, ocupando cerca de 70% de toda a área do planeta.

O processo de formação é lento e fascinante: durante milhões de anos, sedimentos transportados por rios, ventos e geleiras vão se acumulando em depressões do terreno. 

Com o tempo, a pressão das camadas superiores compacta e transforma esses sedimentos em rocha. E é justamente nesse processo que se forma a maior riqueza dessas estruturas: esses sedimentos orgânicos, ao longo do tempo, podem transformar-se em combustíveis fósseis. No caso de soterramentos ocorridos em ambientes aquáticos ricos em plâncton e algas, é possível encontrar petróleo. Já no caso do soterramento de antigos pântanos e florestas, há a possibilidade de ocorrência de carvão mineral.

Daí a importância estratégica das bacias sedimentares para a geopolítica da energia , tema diretamente ligado ao Enem.

Dobramentos Modernos

Os dobramentos modernos são as estruturas geológicas mais jovens e, ao mesmo tempo, as mais espetaculares. Os dobramentos modernos são formados a partir do choque entre placas tectônicas, em que uma das placas desce e a outra soergue (dobra). Essa estrutura é chamada de moderna porque, na escala geológica, teve origem em um período recente: o Cenozoico.

Os principais exemplos desse fenômeno são os Andes, os Alpes, o Himalaia e as Montanhas Rochosas.

Por serem de formação recente, não foram ainda desgastadas pela erosão e apresentam altitudes elevadas. Além das grandes altitudes, essas regiões concentram terremotos, vulcões e tsunamis, riscos naturais que o Enem frequentemente aborda em questões sobre vulnerabilidade ambiental e geopolítica.

Como é a estrutura geológica do Brasil?

O Brasil é um caso geológico peculiar. Por se encontrar no meio da placa tectônica Sul-Americana, o país não possui dobramentos modernos nem vulcões ativos, e os abalos sísmicos de maior intensidade são pouco frequentes. Enquanto a vizinha Cordilheira dos Andes, na borda da mesma placa, é sacudida por terremotos e erupções vulcânicas, o Brasil desfruta de uma estabilidade geológica rara.

O território brasileiro é composto por apenas dois tipos de estrutura geológica: os escudos cristalinos, que cobrem aproximadamente 36% do país, e as bacias sedimentares, que cobrem quase 60% do território, além de terrenos vulcânicos que representam cerca de 4%.

Os escudos cristalinos brasileiros se dividem em três grandes unidades: o Escudo das Guianas (norte), o Escudo do Brasil Central e o Escudo Atlântico (leste e sudeste). Já as principais bacias sedimentares são a Amazônica, a do Paraná, a da Parnaíba, a do São Francisco e a do Pantanal, esta última dando origem à maior planície alagável do planeta.

Os terrenos cristalinos brasileiros são divididos entre os que se formaram no Arqueozoico (32,1% do território brasileiro) e os que se constituíram no Proterozoico (3,9% da superfície).

Sob a ótica econômica, os terrenos proterozoicos apresentam maior relevância, pois estão associados à formação e desenvolvimento de minerais metálicos, onde são encontradas importantes riquezas minerais do Brasil, como os minérios de ferro e manganês.

Qual é a relação entre a estrutura geológica e os recursos naturais?

Uma das aplicações mais cobradas nas provas é justamente a relação entre o que é estrutura geológica e a distribuição dos recursos naturais. O princípio é simples:

  • Escudos cristalinos → minerais metálicos (ferro, ouro, manganês, alumínio, nióbio)
  • Bacias sedimentares → combustíveis fósseis (petróleo, gás natural, carvão), além de calcário, areia e argila
  • Dobramentos modernos → minerais não metálicos e, em alguns casos, minerais metálicos associados ao vulcanismo

Essa lógica explica, por exemplo, por que o petróleo brasileiro do pré-sal está na plataforma continental , uma bacia sedimentar submersa , e não nas serras do interior do país.

Como a estrutura vira relevo?

As formas de relevo mais comuns, considerando os fatores como dinâmica tectônica, estrutura geológica (constituição das rochas e idade de formação) e os processos erosivos, são as planícies, os planaltos e as depressões.

O geógrafo brasileiro Aziz Ab’Sáber foi pioneiro ao mostrar que o relevo não é moldado apenas por forças internas da Terra, mas também pelo clima.

Segundo ele, a ação das chuvas, dos ventos e da temperatura atua sobre as estruturas rochosas diferentemente conforme a região, razão pela qual o Nordeste semiárido apresenta um relevo tão distinto do Sul subtropical, mesmo que ambos assentem sobre estruturas geológicas semelhantes.

O Brasil é um país de relevo com altitudes modestas: aproximadamente 40% do seu território encontra-se abaixo de 200 metros de altitude, 45% entre 200 e 600 metros, e apenas 12% acima de 600 metros. Essa configuração é diretamente consequência da antiguidade e do desgaste das estruturas geológicas que compõem o substrato do país.

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Redação Beduka
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