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Os 10 Melhores Exercícios sobre Tipos de Discurso com Gabarito

Exercícios sobre Tipos de DiscursoExercícios sobre Tipos de Discurso

Discurso Indireto, Discurso Direto e Discurso Indireto Livre são os três tipos de discursos que existem. Neste texto você aprenderá mais sobre cada um e poderá testar seus conhecimentos com Exercícios sobre Tipos de Discursos.

Quando você terminar os Exercícios sobre Tipos de Discurso, coloque em prática todo seu conhecimento com O Melhor Simulado Enem do Brasil. 

O que é Discurso Indireto? 

O Discurso Indireto é aquele mediado pelo narrador, ou seja, ele aponta o que foi dito por uma das personagens. É a perfeita concretização da função de narrador.

Quais as características do Discurso Indireto?

  • O narrador fala pelos personagens;
  • A narração é feita em terceira pessoa;
  • Há presença de verbos de locução (ou declarativos);
  • Esses verbos costumam vir acompanhados de conjunções ou pontuação, separando a fala do narrador da fala do personagem e delimitando o que foi narrado.

Exemplos de Discurso Indireto

  • Carlos, assim que chegou na reunião, aproximou-se do colega e foi lhe dizendo que tinha novas propostas promissoras para apresentar.
  • Davi mal chegou na festa e já admitiu a seus amigos que estava ansioso para Isabel chegar.

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O que é Discurso Direto? 

O Discurso Direto é aquele em que se transcreve, literalmente, a fala de um personagem. É a forma de fazer com que ele participe diretamente da história, ganhando vida e presença. Nesse caso, não há necessidade de um narrador.

Tipo de discurso direto
Tipo de discurso direto

Quais as características do Discurso Direto?

  • É introduzido por verbos declarativos (ou de locução) 
  • Os verbos declarativos são seguidos de dois pontos;
  • A fala é, normalmente, antecedida por travessão (sinal de pontuação que indica quando começa a fala de um personagem);
  • Pode aparecer entre aspas e não com o travessão, justamente porque é a citação de uma fala.

Exemplos de Discurso Direto

  • Um homem passava apressado na rua, parou por um momento e me perguntou:

 – Que horas são, por favor?

  • Durante minha infância, sempre ouvi meu avô dizer: “ Desce daí menino, se não vai cair”

O que é Discurso Indireto Livre? 

O Discurso Indireto Livre é aquele que mistura os 2 tipos anteriores, ou seja, ambos ocorrem simultaneamente. Ele é muito utilizado na literatura Moderna e Contemporânea, por causa da sua dinamicidade. Pode ser um pouco difícil de imaginar, por isso, colocamos os exemplos adiante.

Quais as características do Discurso Indireto Livre?

  • É difícil delimitar o início e o fim do discurso do personagem, pois não há sinais que indiquem a separação da fala do narrador e do personagem;
  • As falas dos personagens surgem espontaneamente na primeira pessoa, em meio ao discurso do narrador em terceira pessoa. Um está inserido no outro;
  • O narrador é onisciente, ou seja, tem consciência e sabe falar sobre tudo o que foi pensado, dito e sentido por qualquer personagem. 

Exemplos de Discurso Indireto Livre

  • Cristóvão comia compulsivamente sentindo um enorme prazer. Graças a Deus, comida de verdade! Há quanto tempo eu não sentia esse sabor! Ele não sabia se permaneceria muito tempo na Terra ou se logo voltaria para a nave espacial.
  • Maria chorava, chorava desesperadamente sentindo um aperto enorme no peito. Logo comigo, logo comigo isso tinha que acontecer! Ela não sabia se poderia superar essa paixão ou se morreria de tristeza. 

Você quer aprender como transformar os discursos uns nos outros? Então leia nosso artigo completo sobre Tipos de Discurso.

Exercícios sobre Tipos de Discurso com Gabarito

Esperamos que, com esse resumo, tudo tenha ficado mais claro para você. 

Obrigado por ter lido até aqui!

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Questão 1-  (Eear) Leia: – Nem remédio ingeri, a moribunda esclarecia. Passando para o Discurso Indireto o fragmento acima, de acordo com a norma gramatical, tem-se: 

a) Esclarecia a moribunda que nem ingeriria remédio. 

b) A moribunda esclareceu que nem remédio iria ingerir. 

c) Que nem remédio iria ingerir, a moribunda esclareceria. 

d) A moribunda esclarecia que nem remédio tinha ingerido.

Questão 2- (Ufu) Por que Raduan Nassar parou de escrever? Essa pergunta com ares novelescos continua um enigma inexplicado. Depois de se preparar por 20 anos, a consagração veio junto com a estreia no lançamento do romance “Lavoura Arcaica” (1975), seguido de outro êxito atordoante, a novela “Um Copo de Cólera” (1978). No auge de uma carreira recém-começada, as traduções de vento em popa, quando seus leitores antecipam proezas ainda maiores que estavam por vir, de repente o escritor paulista anunciou que passava a arar outras terras, trocava a literatura pela agricultura […]. 

FRIAS FILHO, O. O silêncio de Raduan. Folha de S. Paulo, 10 out. 1996. Disponível em: . Acesso em: 30 mar. 2018.

Na coluna publicada no jornal Folha de São Paulo em outubro de 1996, a informação sobre o abandono da literatura pelo escritor Raduan Nassar

a) foi transcrita sob a forma de discurso indireto introduzido por um verbo de dizer que pode ser considerado sinônimo de declarar.

b)  foi relatada sem marcas linguísticas que permitam distinguir as palavras do escritor das palavras do autor do texto.

c)  foi transcrita diretamente embora não seja possível identificar as marcas formais comumente usadas nessa forma de discurso relatado.

d) foi relatada indiretamente sem que as regras gramaticais para esse fim fossem seguidas adequadamente pelo autor do texto.

Questão 3- (Espcex (Aman)) Assinale a alternativa que apresenta exemplo de discurso indireto livre. 

a) – Desejo muito conhecer Carlota – disse-me Glória, a certo ponto da conversação. – Por que não a trouxe consigo? 

b)  Omar queixou-se ao pai. Não era preciso tanta severidade. Por que não tratava os outros filhos com o mesmo rigor? 

c) – Isso não pode continuar assim, respondeu ela; – é preciso que façamos as pazes definitivamente

d) Uma semana depois, Virgília perguntou ao Lobo Neves, a sorrir, quando seria ele ministro. Ele respondeu que, pela vontade dele, naquele mesmo instante.

e) Daí a pouco chegou João Carlos e, após ligeiro exame, receitou alguma coisa, dizendo que nada havia de anormal…

Questão 4- (G1 – ifsp) Leia o texto adaptado abaixo da Revista Língua Portuguesa, nº 104, de junho de 2014, para responder à questão. 

Os legos escritores 

O cientista molecular Jared K. Burks, criador da marca Fine Clonier, deu início à carreira de personalizar minifiguras há 15 anos, quando a linha Lego Star Wars foi lançada. Fã de ficção científica, coleciona figuras desde criança. 

Desanimado com os personagens do mercado, criou um método de decalques, o toboágua, e a partir daí aprendeu a esculpir e montar elencos. Assim surgiu o site Fine Clonier. Em 2007, o site realizou um concurso sobre versões de figuras históricas e literárias com Lego. 

– Aprendi sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passei a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhei o que eu sei em vários sites – disse Burks. 

De acordo com Celso Cunha, discurso é a prática humana de construir textos, sejam eles escritos ou orais. No texto, há um discurso direto, transcrito abaixo. 

“– Aprendi sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passei a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhei o que eu sei em vários sites – disse Burks.” 

Assinale a alternativa que apresenta a correta transposição do trecho para o discurso indireto. 

a) Burks disse que aprendia sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passava a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhava o que soube em vários sites.

b) Burks disse que aprendeu sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passou a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhou o que soubera em vários sites.

c) Burks dissera que aprendera sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passara a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhara o que soubera em vários sites. 

d) Burks dizia que aprenderia sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passaria a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilharia o que soubera em vários sites.  

e) Burks disse que aprendera sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passara a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhara o que sabia em vários sites. 

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 

O trecho que segue é da personagem Olga, de Triste Fim de Policarpo Quaresma, romance de Lima Barreto. 

O que mais a impressionou no passeio foi a miséria geral, a falta de cultivo, a pobreza das casas, o ar triste, abatido da gente pobre. (…) Havendo tanto barro, tanta água, por que as casas não eram de tijolos e não tinham telhas? Era sempre aquele sapê sinistro e aquele “sopapo” que deixava ver a trama de varas, como o esqueleto de um doente. Por que ao redor dessas casas não havia culturas, uma horta, um pomar? (…) Não podia ser preguiça só ou indolência. Para o seu gasto, para uso próprio, o homem tem sempre energia para trabalhar relativamente. (…) Seria a terra? Que seria? E todas essas questões desafiavam a sua curiosidade, o seu desejo de saber, e também a sua piedade e simpatia por aqueles párias, maltrapilhos, mal alojados, talvez com fome, sorumbáticos!… 

(Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma)

Questão 5- (Espm) Em Lima Barreto, a sequência grande de perguntas ao longo do texto configura o:

a) discurso direto, em que há reprodução da fala da personagem ou do diálogo entre personagens

b) discurso indireto, em que o narrador conta aos leitores o que a personagem disse. Não há travessão. 

c)  discurso indireto livre, em que há o pensamento da personagem, expresso pelo narrador, em meio à narrativa. 

d) solilóquio, em que a personagem extravasa os seus pensamentos e emoções em monólogos, sem dirigir-se especificamente a qualquer ouvinte. 

e) fluxo da consciência, em que há transcrição do complexo processo de pensamento não-linear de uma personagem, com o raciocínio lógico entremeado com impressões pessoais momentâneas e exibindo os processos de associação de ideias. 

  • Muito bem! Você chegou à metade dos Exercícios sobre Tipos de Discurso. Continue fazendo o restante.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 

A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionada(s) ao texto abaixo. 

– Temos sorte de viver no Brasil – dizia meu pai, depois da guerra. – Na Europa mataram milhões de judeus. 

Contava as experiências que os médicos nazistas faziam com os prisioneiros. Decepavam-lhes as cabeças, faziam-nas encolher – à maneira, li depois, dos índios Jivaros. Amputavam pernas e braços. Realizavam estranhos transplantes: uniam a metade superior de um homem _____1_____ metade inferior de uma mulher, ou aos quartos traseiros de um bode. Felizmente morriam essas atrozes quimeras; expiravam como seres humanos, não eram obrigadas a viver como aberrações. (_____2_____ essa altura eu tinha os olhos cheios de lágrimas. Meu pai pensava que a descrição das maldades nazistas me deixava comovido.) 

Em 1948 foi proclamado o Estado de Israel. Meu pai abriu uma garrafa de vinho – o melhor vinho do armazém –, brindamos ao acontecimento. E não saíamos de perto do rádio, acompanhando _____3_____ notícias da guerra no Oriente Médio. Meu pai estava entusiasmado com o novo Estado: em Israel, explicava, vivem judeus de todo o mundo, judeus brancos da Europa, judeus pretos da África, judeus da Índia, isto sem falar nos beduínos com seus camelos: tipos muito esquisitos, Guedali. 

Tipos esquisitos – aquilo me dava ideias. Por que não ir para Israel? Num país de gente tão estranha – e, ainda por cima, em guerra – eu certamente não chamaria a atenção. Ainda menos como combatente, entre a poeira e a fumaça dos incêndios. Eu me via correndo pelas ruelas de uma aldeia, empunhando um revólver trinta e oito, atirando sem cessar; eu me via caindo, varado de balas. Aquela, sim, era a morte que eu almejava, morte heroica, esplêndida justificativa para uma vida miserável, de monstro encurralado. E, caso não morresse, poderia viver depois num kibutz . Eu, que conhecia tão bem a vida numa fazenda, teria muito a fazer ali. Trabalhador dedicado, os membros do kibutz terminariam por me aceitar; numa nova sociedade há lugar para todos, mesmo os de patas de cavalo. 

Adaptado de: SCLIAR, M. O centauro no jardim. 9. ed. Porto Alegre: L&PM, 2001. 

Questão 6- (Ufrgs) Assinale a alternativa que apresenta a transposição correta para o discurso indireto do trecho abaixo:

– Temos sorte de viver no Brasil – dizia meu pai, depois da guerra.

a)  Dizia meu pai que tinha sorte de viver no Brasil depois da guerra.  

b) Dizia meu pai que tínhamos sorte de viver no Brasil depois da guerra. 

c) Dizia meu pai para mim que tivéramos sorte de viver no Brasil depois da guerra. 

d)  Dizia meu pai: temos sorte de viver no Brasil depois da guerra

e) Disse meu pai que tivemos sorte de viver no Brasil depois da guerra.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 

Leia a fábula “A raposa e o lenhador”, do escritor grego Esopo (620 a.C.?-564 a.C.?), para responder à(s) questão(ões) a seguir: 

Enquanto fugia de caçadores, uma raposa viu um lenhador e lhe pediu que a escondesse. Ele sugeriu que ela entrasse em sua cabana e se ocultasse lá dentro. Não muito tempo depois, vieram os caçadores e perguntaram ao lenhador se ele tinha visto uma raposa passar por ali. Em voz alta ele negou tê-la visto, mas com a mão fez gestos indicando onde ela estava escondida. Entretanto, como eles não prestaram atenção nos seus gestos, deram crédito às suas palavras. Ao constatar que eles já estavam longe, a raposa saiu em silêncio e foi indo embora. E o lenhador se pôs a repreendê-la, pois ela, salva por ele, não lhe dera nem uma palavra de gratidão. A raposa respondeu: “Mas eu seria grata, se os gestos de sua mão fossem condizentes com suas palavras.” 

(Fábulas completas, 2013.)  

Questão 7 – (Unifesp) Os trechos “Ele sugeriu que ela entrasse em sua cabana” e “vieram os caçadores e perguntaram ao lenhador se ele tinha visto uma raposa” foram construídos em discurso indireto. Ao se transpor tais trechos para o discurso direto, o verbo “entrasse” e a locução verbal “tinha visto” assumem, respectivamente, as seguintes formas: 

a) “entrai” e “vira”. 

b) “entrou” e “viu”.

c)  “entre” e “vira”.

d) “entre” e “viu”. 

e) “entrai” e “viu”

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 

Leia o conto “A moça rica”, de Rubem Braga (1913-1990), para responder à(s) questão(ões) a seguir. 

A madrugada era escura nas moitas de mangue, e eu avançava no batelão velho; remava cansado, com um resto de sono. De longe veio um rincho de cavalo; depois, numa choça de pescador, junto do morro, tremulou a luz de uma lamparina. 

Aquele rincho de cavalo me fez lembrar a moça que eu encontrara galopando na praia. Ela era corada, forte. Viera do Rio, sabíamos que era muito rica, filha de um irmão de um homem de nossa terra. A princípio a olhei com espanto, quase desgosto: ela usava calças compridas, fazia caçadas, dava tiros, saía de barco com os pescadores. Mas na segunda noite, quando nos juntamos todos na casa de Joaquim Pescador, ela cantou; tinha bebido cachaça, como todos nós, e cantou primeiro uma coisa em inglês, depois o Luar do sertão e uma canção antiga que dizia assim: “Esse alguém que logo encanta deve ser alguma santa”. Era uma canção triste. 

Cantando, ela parou de me assustar; cantando, ela deixou que eu a adorasse com essa adoração súbita, mas tímida, esse fervor confuso da adolescência – adoração sem esperança, ela devia ter dois anos mais do que eu. E amaria o rapaz de suéter e sapato de basquete, que costuma ir ao Rio, ou (murmurava-se) o homem casado, que já tinha ido até à Europa e tinha um automóvel e uma coleção de espingardas magníficas. Não a mim, com minha pobre flaubert, não a mim, de calça e camisa, descalço, não a mim, que não sabia lidar nem com um motor de popa, apenas tocar um batelão com meu remo. 

Duas semanas depois que ela chegou é que a encontrei na praia solitária; eu vinha a pé, ela veio galopando a cavalo; vi-a de longe, meu coração bateu adivinhando quem poderia estar galopando sozinha a cavalo, ao longo da praia, na manhã fria. Pensei que ela fosse passar me dando apenas um adeus, esse “bomdia” que no interior a gente dá a quem encontra; mas parou, o animal resfolegando e ela respirando forte, com os seios agitados dentro da blusa fina, branca. São as duas imagens que se gravaram na minha memória, desse encontro: a pele escura e suada do cavalo e a seda branca da blusa; aquela dupla respiração animal no ar fino da manhã. 

E saltou, me chamando pelo nome, conversou comigo. Séria, como se eu fosse um rapaz mais velho do que ela, um homem como os de sua roda, com calças de “palm-beach”, relógio de pulso. Perguntou coisas sobre peixes; fiquei com vergonha de não saber quase nada, não sabia os nomes dos peixes que ela dizia, deviam ser peixes de outros lugares mais importantes, com certeza mais bonitos. Perguntou se a gente comia aqueles cocos dos coqueirinhos junto da praia – e falou de minha irmã, que conhecera, quis saber se era verdade que eu nadara desde a ponta do Boi até perto da lagoa. 

De repente me fulminou: “Por que você não gosta de mim? Você me trata sempre de um modo esquisito…” Respondi, estúpido, com a voz rouca: “Eu não”. 

Ela então riu, disse que eu confessara que não gostava mesmo dela, e eu disse: “Não é isso.” Montou o cavalo, perguntou se eu não queria ir na garupa. Inventei que precisava passar na casa dos Lisboa. Não insistiu, me deu um adeus muito alegre; no dia seguinte foi-se embora. 

Agora eu estava ali remando no batelão, para ir no Severone apanhar uns camarões vivos para isca; e o relincho distante de um cavalo me fez lembrar a moça bonita e rica. Eu disse comigo – rema, bobalhão! – e fui remando com força, sem ligar para os respingos de água fria, cada vez com mais força, como se isto adiantasse alguma coisa.

(Os melhores contos, 1997.) 

batelão: embarcação movida a remo. 

rincho: relincho. 

flaubert: um tipo de espingarda.

Questão 8 – (Unesp) Ao se converter o trecho “Ela então riu, disse que eu confessara que não gostava mesmo dela” (7º parágrafo) para o discurso direto, o verbo “confessara” assume a forma: 

a) confessei.

b) confessou. 

c)  confessa.

d) confesso.  

e) confessava

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake* sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

(Rubem Alves, “A complicada arte de ver”. Folha de S. Paulo, 26.10.2004)

*William Blake (1757-1827) foi poeta romântico, pintor e gravador inglês. Autor dos livros de poemas Song of Innocence e Gates of Paradise.

9 – (FGV) No último parágrafo do texto há um exemplo de discurso:

a)  indireto livre.

b) indireto.

c) de autoridade.

d) direto.

e) de injunção.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

Leia a Entrevista de Adélia Prado, em O coração disparado, para responder.

Um homem do mundo me perguntou:

O que você pensa de sexo?

Uma das maravilhas da criação, eu respondi.

Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas

E esperava que eu dissesse maldição,

Só porque antes lhe confiara: o destino do homem é a santidade.

Questão 10 – (UNIFESP) Em discurso indireto, os dois primeiros versos assumem a seguinte forma:

a) Um homem do mundo me perguntou o que eu pensaria de sexo?

b)  Um homem do mundo me perguntou o que você pensava de sexo.

c) Um homem do mundo me perguntou o que eu penso de sexo?

d) Um homem do mundo me perguntou o que você pensa de sexo.

e) Um homem do mundo me perguntou o que eu pensava de sexo.

  • Parabéns, você fez todos os Exercícios sobre Tipos de Discurso. Confira agora o Gabarito:

Gabarito dos Exercícios sobre Tipos de Discurso

Exercício resolvido da questão 1 –

Alternativa correta: d) A moribunda esclarecia que nem remédio tinha ingerido.

Exercício resolvido da questão 2 –

Alternativa correta: a) foi transcrita sob a forma de discurso indireto introduzido por um verbo de dizer que pode ser considerado sinônimo de declarar.

Exercício resolvido da questão 3 –

Alternativa correta: b)  Omar queixou-se ao pai. Não era preciso tanta severidade. Por que não tratava os outros filhos com o mesmo rigor? 

Exercício resolvido da questão 4 –

Alternativa correta: e) Burks disse que aprendera sobre a criação de acessórios de pano, pintura, vinil e muitas outras. Passara a escrever para o BrickJournal, especializado em minifiguras e, por meio dele, compartilhara o que sabia em vários sites. 

Exercício resolvido da questão 5 –

Alternativa correta: c)  discurso indireto livre, em que há o pensamento da personagem, expresso pelo narrador, em meio à narrativa. 

Exercício resolvido da questão 6 –

Alternativa correta: b) Dizia meu pai que tínhamos sorte de viver no Brasil depois da guerra. 

Exercício resolvido da questão 7 –

Alternativa correta: d) “entre” e “viu”. 

Exercício resolvido da questão 8 –

Alternativa correta: b) confessou. 

Exercício resolvido da questão 9 –

Alternativa correta: d) direto.

Exercício resolvido da questão 10 –

Alternativa correta: e) Um homem do mundo me perguntou o que eu pensava de sexo.

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