História

Saiba o que foi a Guerra de Canudos

O que foi a Guerra de CanudosSaiba o que foi a Guerra de Canudos

A Guerra de Canudos foi um conflito armado entre os membros da comunidade sócio-religiosa liderada por Antônio Conselheiro e o Exército Brasileiro. A Guerra de Canudos durou de 1896 a 1897.

Relembre o que foi a Guerra de Canudos, um conflito muito importante na história brasileira e que costuma cair no caderno de Ciências Humanas e suas tecnologias do ENEM e de outros principais vestibulares. 

Aproveite e faça os Exercícios da Guerra de Canudos!

Nesse artigo você verá:

  1. O que foi a Guerra de Canudos;
  2. O Contexto Histórico do conflito;
  3. As causas da Guerra;

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O que foi a Guerra de Canudos?

A Guerra de Canudos, que aconteceu entre 7 de novembro de 1896 e 5 de outubro de 1897, foi um conflito armado que envolveu o Exército Brasileiro e membros da comunidade sócio-religiosa liderada por Antônio Conselheiro, em Canudos, interior da Bahia.

O conflito foi resultado de uma série de fatores como a grave crise econômica e social em que a região – caracterizada pela presença de latifúndios improdutivos – se encontrava na época. Essa situação foi agravada pela ocorrência de secas cíclicas, de desemprego crônico e  pela crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social.

Contexto Histórico da Guerra de Canudos

Para compreendermos melhor a Guerra de Canudos, é necessário entender melhor o contexto histórico do Nordeste no final do século XIX, época em que o conflito aconteceu. 

A Proclamação da República, feita por Marechal Deodoro da Fonseca em 1889, não significou transformações estruturais efetivas nas condições de vida da população. Ou seja, os problemas sociais presentes nos tempos de monarquia permaneceram durante os primeiros anos da República

O sertão baiano vivia uma crise generalizada, já que os engenhos haviam entrado em decadência. Além disso, o fim da escravidão significou o surgimento de uma população numerosa sem trabalho ou moradia e a concentração de terras permanecia na mão de uma minoria.

Em 1878, o sertão da Bahia também sofreu uma terrível seca, que só veio a aumentar a pobreza e miséria da maior parte da população que lá vivia.

A partir desse contexto, surge o “messianismo”, movimento que consistiu no aparecimento de líderes locais com forte discurso religioso salvacionista que perambulavam pelo Nordeste fazendo pregações.

Alguns pontos principais que estão relacionados diretamente ao conflito são:

  • Fome: O desemprego da época e os baixos rendimentos das famílias deixavam muitos sem ter o que comer.
  • Seca: A região do agreste ficava muitos meses e até mesmo anos sem receber chuvas. Este fator dificultava a agricultura e não permitia a sobrevivência do gado.
  • Falta de apoio político: Os governantes e políticos da região não se importavam com as necessidades das populações carentes.
  • Violência: Latifundiários empregavam grupos armados para proteger suas propriedades. Eles espalhavam a violência pela região, como estratégia de manutenção do poder dos fazendeiros e forma de repressão a qualquer movimento político ou social, desfavorável aos seus patrões.
  • Desemprego: Grande parte da população pobre estava desempregada em função da seca e da falta de oportunidades em outras áreas da economia.
  • Fanatismo religioso: Era comum a existência de beatos que arrebanhavam seguidores prometendo uma vida melhor.

Antônio Conselheiro e a fundação de Canudos

Antônio Conselheiro e a fundação de Canudos
Antônio Conselheiro

Antônio Conselheiro, nascido em Quixeramobim (CE) em 13 de março de 1830, veio de uma família tradicional que que vivia nos sertões. Ele foi comerciante, professor e advogado prático nos sertões de Ipu e Sobral. 

Sua esposa o largou para ficar com um sargento da força pública. Após esse acontecimento, Antônio Conselheiro passou a vagar pelos sertões em uma andança de vinte e cinco anos. Por volta de 1893, chegou a Canudos e tornou-se líder do arraial, atraindo milhares de de pessoas. Ele acreditava que era enviado de Deus para acabar com as diferenças sociais e com a cobrança de tributos.

Antônio Conselheiro também acreditava que a República, recém implantada no país, era a materialização do reino do “Anti-Cristo” na Terra, uma vez que o governo laico seria uma profanação da autoridade da Igreja Católica para legitimar os governantes.

Para ele, cobrança de impostos efetuada de forma violenta, a celebração do casamento civil, a separação entre Igreja e Estado eram provas cabais da proximidade do “fim do mundo”.

Depois de longa peregrinação pelos sertões de Pernambuco e Sergipe, Antônio Conselheiro e seus seguidores adentraram o interior da Bahia e se instalaram em Canudos. A partir disso, eles ergueram a “cidade santa” de Belo Monte que acabou se transformando em um refúgio das pessoas desprotegidas e perseguidas. 

Canudos se transformou em uma comunidade onde não haviam diferenças sociais. Além disso, os rebanhos e as lavouras pertenciam a todos. Esse modelo sócio-econômico acabou se transformando no principal atrativo para milhares de sertanejos.

Antônio Conselheiro e a fundação de Canudos
Arraial de Canudos

Em 1896, ano em que se iniciou a Guerra de Canudos, Belo Monte tinha mais de 5 mil casas e aproximadamente 30 mil habitantes. A segurança do reduto era mantida por ex-jagunços e ex-cangaceiros. A religião rústica de Antônio Conselheiro os mantinha esperançosos de dias melhores.

Causas da Guerra de Canudos 

O governo da Bahia, com o apoio de latifundiários, não concordava com o fato de os habitantes de Canudos não pagarem impostos e viverem sem seguir as leis estabelecidas. Afirmavam também que Antônio Conselheiro defendia a volta da Monarquia, que havia sido substituída pela República em 1889.

Antônio Conselheiro, por sua vez, defendia o fim da cobrança dos impostos e era contrário ao casamento civil. Ele afirmava ter sido enviado por Deus para liderar o movimento contra as diferenças e injustiças sociais. Era também um crítico do sistema republicano, na forma como funcionava no período.

Como aconteceu a Guerra de Canudos?

Como aconteceu a Guerra de Canudos

Agora que você já sabe o que foi a Guerra de Canudos, suas causas e contexto histórico, é necessário saber também como ela aconteceu. 

Para os sertanejos, o arraial de Canudos era considerado a “terra prometida”. Já para os padres – que perdiam seus fiéis – e para os grandes proprietários de terra – que perdiam seus trabalhadores, os habitantes de Canudos eram fanáticos e deviam ser destruídos. 

Houve 3 tentativas de destruir Canudos, que explicaremos a seguir:

A 1ª tentativa

Na primeira tentativa, o governo enviou cerca de 500 homens fortemente armados, mas a população de Canudos já sabia da tentativa de ataque e conseguiu dizimar a tropa através da utilização de táticas de emboscada e de luta corpo a corpo.

A tropa enviada foi dizimada e deixou, inclusive, as armas para trás. 

A 2ª tentativa

Na segunda investida militar estavam envolvidos cerca de 1500 homens, comandados pelo major Moreira Cesar, à pedido do então presidente Prudente de Moraes. 

Em sua viagem ao Rio de Janeiro até Monte Santo, cidade que serviu de quartel-general, o líder da tropa cometeu um erro que o faria perder o combate: antes de ir ao combate, preferiu almoçar, tendo dois ataques epiléticos que atrasaram a chegada e alarmaram a população de Canudos. 

Quando chegaram ao Arraial, o comandante, convencido da fraqueza do povoado, ordenou que a guerra começasse sem armas. Assim, mais uma vez, a população de Canudos derrotou os invasores.

A 3ª tentativa

A terceira tentativa envolveu mais de 2 mil homens especializados e máquinas de guerra, como canhões e fuzis carregados por uma tropa liderada pelo Marechal Carlos Bittencourt.

Junto aos soldados estava o jornalista da Folha de São Paulo, Euclides da Cunha, que aceitou fazer  a viagem convicto de que presenciaria o fim de uma rebelião monárquica no país. 

Chegando lá, avistou um verdadeiro massacre: cerca de 25 mil habitantes de Canudos foram mortos. O exército decapitou Antônio Conselheiro, para que seu cérebro fosse estudado pelo cientista Nino Rodrigues.

Euclides da Cunha retrata a história da Guerra de Canudos na obra“Os Sertões”. Sua reflexão sobre o assunto foi tão revolucionária e de tamanha sensibilidade que o livro é cobrado em provas de vestibulares até hoje.

O Beduka possui um resumo e análise dessa obra tão importante, clique aqui e veja o resumo de Os Sertões de Euclides da Cunha!

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