Literatura

Análise e resumo do livro A Cidade a as Serras

A Cidade e as Serras é um romance de Eça de Queiroz publicado em 1901, um ano após a morte do autor português. A obra é uma das mais cotadas para cair no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Dessa vez apresentamos a você a análise e o resumo do livro A cidade e as serras (1901) de Eça de Queiroz (1845-1900). Trata-se de um romance póstumo que foi desenvolvido de um conto desse autor, chamado “A civilização”.

Ele está entre os livros mais cotados para a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Confira os outros que provavelmente também estarão na sua prova aqui nas nossas dicas!

Ao final da leitura da análise e do resumo do livro A Cidade e as Serras teste seu conhecimento com algumas questões de vestibular sobre a obra.

Conheça os personagens principais:

Jacinto: Este é o protagonista, um rico francês que deixa Paris para ser feliz no campo, em Portugal, terra de seu avô.

Zé Fernandes: Melhor amigo de Jacinto e narrador da história.

Amigos de Jacinto em Paris: Grupo de pessoas hipócritas, de vida fútil e aparências, como Madame d’Oriol, amante de jacinto.

Madame Colombe: Esta é uma prostitua de luxo com quem o narrador José Fernandes possui um caso de amoroso.

Amigos da serra: Pessoas que rejeitaram Jacinto por terem-no associado a um absolutista.

Joaninha: Esposa de Jacinto e prima de José Fernandes.

Grilo: Empregado de Jacinto, que muito o respeita.

Resumo do livro A cidade e as serras

Resumo e análise de A cidade e as Serras do Beduka

José Fernandes (ou Zé Fernandes) é o narrador desse romance de Eça de Queiroz e também o melhor amigo do protagonista: Jacinto.

Contando a história de seu amigo, recorre ao passado para contar como tudo aconteceu desde o avô dele, chamado Jacinto Galeão ou Dom Galeão. Tratava-se de um riquíssimo fidalgo que tendo escorregado numa casca de banana, foi socorrido por Dom Miguel, regente português, filho de Dom João VI e herdeiro do trono.

Porém, Dom Miguel era absolutista e foi deposto. Por causa disso Dom Galeão, que era fiel a ele, abandonou Portugal com sua esposa, filhos e criados. Foram todos para a França, morar na capital, fazendo de Paris um desterro.

Lá ele adquiriu um palacete na Avenida Campos Elísios, 202, e viveu com muito luxo.

Dom Galeão e Dona Angelina tiveram um filho, o Cintinho, que viria a ser pai de Jacinto, o protagonista.

Ele, porém, teve tuberculose e apesar do médico tê-lo recomendado viver ares mais puros, não quis sair de Paris, pois estava apaixonado por Teresinha, que era filha de um desembargador amigo da família. Casou-se e morreu da doença sem nem mesmo presenciar o nascimento de seu filho.

O nosso Jacinto veio ao mundo três meses e três dias depois do enterro de seu pai.

José Fernandes após narrar os fatos dos antepassados de seu amigo, passa a contar como foi a infância dele, etc. Este era saudável, forte e muito inteligente. Foi nascido e criado em Paris e lá foi onde conheceu seu amigo, o mesmo que narra a história.

Jacinto e o positivismo – A vida na cidade

Paris de Jacinto em A Cidade e as Serras na Análise do Beduka

Neste resumo do livro A cidade e as Serras, é importante enfatizar que, para Jacinto, o homem só é superiormente feliz se for superiormente civilizado (positivismo). Sendo assim, a civilização somente se daria nas cidades, quando, por outro lado, a natureza seria aquela que reduz o homem à bestialidade. Para ele, não há possibilidade do homem afirmar sua superioridade se não estiver na cidade.

Sua orientação de vida se resumia em uma frase muito importante, que ajuda a entender A Cidade e as Serras de Eça de Queiroz:

A suma ciência x suma potência resulta na suma felicidade.

Lembramos que tudo de mais moderno no mundo estava presente em Paris nesse período e Jacinto amava todas as tecnologias. Certa vez, fez um passeio com seu amigo José Fernandes ao campo e detestou, tendo-se tranquilizado somente quando retornou à Paris.

O tempo passou e seu amigo foi para Portugal cuidar da propriedade de um de seus tios, deixando Jacinto horrorizado com sua decisão de ir para o campo. Voltou sete anos depois, reencontrou-o e hospedou-se em seu palacete, que estava transformado numa síntese do que havia de melhor no mundo moderno, contendo tudo o que havia de mais tecnológico.

Jacinto possuía uma biblioteca de mais de 30000 volumes (que depois passou para 70000), pois queria nela tudo o que o homem havia descoberto. Seu palacete tinha apenas dois andares, mas já contava com um elevador.

Continuando a narração, José Fernandes conta como era a rotina de Jacinto. Diz que a rotina dele era muito atarefada por causa dos vários cargos importantes que tinha assumido, mesmo estes não o agradando.

Os problemas das tecnologias

Também costumava dar muitas festas. Neste resumo de A cidade e as serras, vale ressaltar uma em particular, a que foi dada em homenagem ao Grão Duque, que inclusive havia mandado um peixe raro pescado na Dalmácia. Ele e muitas outras figuras importantes estavam na festa para um jantar muito requintado.

Porém, uma série de problemas começa a acontecer, como a energia acabar e ficarem sem luz e pior do que tudo, o peixe do Grão Duque ficar preso no elevador de comida que havia emperrado. Fato que o levou a ficar muito ofendido e irritado. Jacinto mais ainda com estes e outros desastres mecânicos que costumavam ocorrer.

Como se tudo isso não bastasse, nas serras de Tormes em Portugal, uma tempestade danificou uma igreja e o mausoléu dos antepassados de Jacinto. Ele então pediu que fossem reformados.

Tanta coisa acontecendo o deixou extremamente melancólico e pessimista. Seu amigo vendo isso e tendo ouvido de Grilo, criado mais próximo de Jacinto, que seu patrão sofria de fartura, resolveu sair com ele e contemplar Paris.

Ida para as Serras portuguesas

Jacinto viaja para portugal na obra de Eça de Queiroz

Eles conversam e Jacinto foi levado por José Fernandes a reconhecer que a cidade é uma ilusão. Entre mais algumas viagens e um pessimismo crescente, Jacinto surpreende a todos com uma notícia: decidira viajar para suas terras portuguesas, para as serras de Tormes. Decidiu ir para lá para a inauguração da igrejinha e para o traslado e sepultamento dos restos mortais de seus ancestrais.

Foram três meses de preparativos e ele partiu junto do amigo. A viagem foi tumultuada e cheia de desconfortos. Até mesmo as bagagens foram extraviadas, tanto que chegaram em Portugal somente com a roupa do corpo. Tiveram de subir as serras no lombo de uma égua e no de um burro.

Jacinto apreciava a beleza das serras, chegou a beber água da bica e comer o que era tradicional do lugar. Pensou em ir para Lisboa, mas decidiu ficar, jantou e bebeu vinho com prazer. (Isso é uma reviravolta em A cidade e as serras de Eça de Queiroz! Jacinto agora começa a gostar do campo.) Por fim, dormiram numa cama improvisada num chão de pedra, sem reclamações.

Ele encontrou paz, se tornou um novo homem. Reformou o casarão, o traslado ocorreu e acabou ficando para sempre nas terras nas quais havia planejado ficar somente dois meses.

Lá, tendo conhecido a miséria da região, mandou melhorar as casas dos funcionários e aumentar seus salários. Assim, sua fama se espalhou como a de um benfeitor. Tinha intenção de construir escolas e até salas para cinema para ensinar aquela gente.

Jacinto se casou, teve filhos, um deles chamado Jacinto também, e conseguiu conciliar a vida no campo com um pouco de civilização.

Serra de Tormes em A cidade e as Serras de Eça de Queiroz

O que achou? Gostou do resumo do livro A cidade e as serras?

Análise do livro A cidade e as serras

Antes de analisar qualquer coisa é importante saber que Eça de Queiroz era um português e este romance dele pertence à sua fase construtiva, na qual há idealização da vida rural portuguesa. Seu entendimento neste estágio era de que a vida no campo era um remédio contra os males gerados pela vida nas cidades.

A compreensão desse romance não é difícil. Acompanhe a análise por grupo dos 16 capítulos de A cidade e as serras:

  • Primeiro grupo:

Este grupo é constituído dos sete primeiros capítulos e de parte do oitavo. A história de Jacinto é apresentada em um período de sua vida em que ele vive com muito requinte, cultura, prestígio, fortuna, porém, sem ser feliz. Ele vive em Paris, cercado de tudo o que é mais avançado mas está sempre entediado e cheio de pessimismo.

  • Segundo grupo:

Já este, vai de meados do capítulo 8 até o capítulo final. Jacinto sofre uma metamorfose em seu encontro com a natureza, no meio rural. Vive não mais em Paris, mas nas serras de Tormes em Portugal e deixa o pessimismo e a melancolia. É apresentado ativo, cheio de vigor e otimismo.

Esse romance conduz ao entendimento de que a felicidade está na vida simples do campo, como você viu no resumo do livro A Cidade e as Serras e não na vida artificial e enganosa das cidades.

Tema central

Casa de Jacinto na obra de Eça de Queiroz

Eça de Queiroz pretendeu criticar a elite portuguesa, demasiadamente urbana e industrial e também o desenvolvimento exacerbado. Por isso Jacinto é repleto de mercadorias, muitas das quais ele nem mesmo precisa.

Narrador

Como já foi dito, José Fernandes é o narrador e um dos personagens, o melhor amigo de Jacinto. Nesse caso trata-se de um narrador testemunha.

Socialismo Utópico

Lembra-se de que Jacinto cuidou de seus funcionários melhorando as casas deles e seus salários? Isso representa uma variação do pensamento socialista, pois Jacinto é apresentado como o patrão que se importa com seus empregados.

Ele apresenta um comportamento assistencialista. Ressalte-se porém, que mesmo ajudados, tudo continuou na mesma, ele o dono, eles os trabalhadores ainda dependentes mesmo em melhores condições.

Sebastianismo

Dom Sebastião foi um rei português muito querido que desapareceu. Em torno dele criou-se uma lenda e o povo passou a esperar que ele voltasse para fazer com que tudo fosse bom novamente. Todos ansiavam por sua volta como se ele fosse um salvador.

Jacinto pode ser interpretado segundo esse viés, pois é o senhor que retorna às suas terras e se torna o grande benfeitor, melhorando tudo. Nesse caso ele seria Dom Sebastião retornando.

Conte pra gente nos comentários o que achou da análise e do resumo do livro A cidade e as serras. Você pode lê-lo online, pois está disponível: PDF da obra A Cidade e as Serras!

Eça de Queiroz – Sobre o autor

Eça de Queiroz autor português no resumo Beduka

Seu nome completo é José Maria de Eça de Queiroz. Ele foi escritor e diplomata português, apesar de seu pai ser brasileiro nascido no Rio de Janeiro. Eça teve quatro filhos com Emília de Castro, sua esposa.

Outras obras renomadas suas são “Os Maias” e “O Crime do Padre Amaro”. Escreveu com realismo e hoje é lembrado tanto no Brasil como em Portugal

Depois de ler o resumo do livro A cidade e as serras, confira ainda:

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Esperamos que este resumo do livro A cidade e as serras tenha sido útil pra você. Compartilhe com seus amigos através das redes sociais.

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Questões de vestibular sobre A cidade e as serras

1 – (FUVEST)

     Já a tarde caía quando recolhemos muito lentamente. E toda essa adorável paz do céu, realmente celestial, e dos campos, onde cada folhinha conservava uma quietação contemplativa, na luz docemente desmaiada, pousando sobre as coisas com um liso e leve afago, penetrava tão profundamente Jacinto, que eu o senti, no silêncio em que caíramos, suspirar de puro alívio.

     Depois, muito gravemente:

     Tu dizes que na Natureza não há pensamento…

     Outra vez! Olha que maçada! Eu…

     Mas é por estar nela suprimido o pensamento que lhe está poupado o sofrimento! Nós, desgraçados, não podemos suprimir o pensamento, mas certamente o podemos disciplinar e impedir que ele se estonteie e se esfalfe, como na fornalha das cidades, ideando gozos que nunca se realizam, aspirando a certezas que nunca se atingem!… E é o que aconselham estas colinas e estas árvores à nossa alma, que vela e se agita que viva na paz de um sonho vago e nada apeteça, nada tema, contra nada se insurja, e deixe o mundo rolar, não esperando dele senão um rumor de harmonia, que a embale e lhe favoreça o dormir dentro da mão de Deus. Hem, não te parece, Zé Fernandes?

     Talvez. Mas é necessário então viver num mosteiro, com o temperamento de S. Bruno, ou ter cento e quarenta contos de renda e o desplante de certos Jacintos…

                                   Fonte: Eça de Queirós, A cidade e as serras.

Considerado no contexto de A cidade e as serras, o diálogo presente no excerto revela que, nesse romance de Eça de Queirós, o elogio da natureza e da vida rural

a) indica que o escritor, em sua última fase, abandonara o Realismo em favor do Naturalismo, privilegiando, de certo modo, a observação da natureza em detrimento da crítica social.

b) demonstra que a consciência ecológica do escritor já era desenvolvida o bastante para fazê-lo rejeitar, ao longo de toda a narrativa, as intervenções humanas no meio natural.

c) guarda aspectos conservadores, predominantemente voltados para a estabilidade social, embora o escritor mantenha, em certa medida, a prática da ironia que o caracteriza.

d) serve de pretexto para que o escritor critique, sob certos aspectos, os efeitos da revolução industrial e da urbanização acelerada que se haviam processado em Portugal nos primeiros anos do Século XIX.

e) veicula uma sátira radical da religião, embora o escritor simule conservar, até certo ponto, a veneração pela Igreja Católica que manifestara em seus primeiros romances.

2 – (PUC) O romance A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, publicado em 1901, é desenvolvimento de um conto chamado “Civilização”. Do romance como um todo pode afirmar-se que

a) apresenta um narrador que se recorda de uma viagem que fizera havia algum tempo ao Oriente Médio, à Terra Santa, de onde deveria trazer uma relíquia para uma tia velha, beata e rica.

b) caracteriza uma narrativa em que se analisam os mecanismos do casamento e o comportamento da pequena burguesia da cidade de Lisboa.

c) apresenta uma personagem que detesta inicialmente a vida do campo, aderindo ao desenvolvimento tecnológico da cidade, mas que ao final regressa à vida campesina e a transforma com a aplicação de seus conhecimentos técnicos e científicos.

d) revela narrativa cujo enredo envolve a vida devota da província e o celibato clerical e caracteriza a situação de decadência e alienação de Leiria, tomando-a como espelho da marginalização de todo o país com relação ao contexto europeu.

e) se desenvolve em duas linhas de ação: uma marcada por amores incestuosos; outra voltada para a análise da vida da alta burguesia lisboeta.

3 – (UNICENTRO) A única passagem que NÃO encontra apoio em A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, é

a) Em A Cidade e as Serras, José Fernandes, de rica família proveniente de Guiães, região serrana de Portugal, narra a história de Jacinto de Tormes, seu amigo também fidalgo, embora nascido e criado em Paris.

b) A Cidade e as Serras explora uma grave tese sociológica: ser-nos preferível viver e proliferar pacificamente nas aldeias a naufragar no estéril tumulto das cidades.

c) Para Jacinto, Portugal estava associado à infelicidade, enquanto Paris associava-se à felicidade; ao longo do romance, contudo, essa opinião se modifica.

d) No romance dois ambientes distintos são enfocados ao longo das duas partes em que o livro pode ser dividido: a civilização e a natureza.

e) Já avançado em idade, Jacinto se aborrece com as serras e tenciona reviver as orgias parisienses, mas faltam-lhe, agora, saúde e riqueza.

Depois de ter lido a análise e o resumo do livro A Cidade e as Serras, foi moleza, certo? Agora confira as respostas:

Gabarito:

1 – c

2 – c

3 – e

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Redação Beduka
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