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Questões sobre Claro Enigma resolvidas

Questões_sobre_Claro_EnigmaQuestões sobre Claro Enigma

Claro Enigma foi publicado em 1951 com 41 poemas escritos por Carlos Drummond de Andrade. Esse livro foi na contramão das obras anteriores do autor. Nesse, ele se fecha muito mais em seus pensamentos mais mórbidos e abandona o caráter ativista. Leia o texto e faça as questões sobre Claro Enigma. 

Terminando as questões sobre Claro Enigma, faça o Simulado Enem do Beduka. Com ele você pode focar nas questões de matérias que tem mais dificuldade.  

Resumo de Claro Enigma

Claro Enigma é dividido em 6 partes. Cada uma uma contendo uma quantidade diferente de poemas. Vamos passar por uma breve resumo de cada uma delas.

  • I – Entre lobo e cão (18 poemas)
  • II – Notícias amorosas (7 poemas)
  • III – O menino e os homens (4 poemas)
  • IV – Selo de minas (5 poemas)
  • V – Os lábios cerrados (6 poemas)
  • VI – A máquina do mundo (2 poemas)

Entre Lobo e Cão

Contando com 18 poemas, essa primeira parte do livro tem como tema central o paradoxo entre a maldade do lobo e bondade do cão. Contudo, também faz referência a Sá de Miranda, um poeta português que dizia que ao meio dia se andava entre as constelações de lobo e cão, mas essas só poderiam ser vistas à noite. 

Disso, entendemos que ao meio dia, mesmo na claridade, estamos andando na escuridão. Drummond usa essa analogia para sinalizar a sua crise interna. Estando no escuro mesmo quando está claro.

Notícias Amorosas

Nessa segunda parte temos apenas 7 poemas e todos têm como tema central o “amor”, mas não o romântico e sim o que é essencial. O amor é abordado de forma universalista. Contudo, Drummond continua com seu tom amargurado, associando o amor a vários sentimentos ruins.   

O Menino e os Homens

Apenas 4 poemas que se apegam ao tema de homenagem. O menino no caso é Drummond que está homenageando seus heróis poetas Mário Quintana, Mário de Andrade e Manuel Bandeira. Homens que Drummond admirava muito por serem melhores e mais humanos que ele na visão do autor.

Selo de Minas

Também 4 poemas, desta vez dedicados a falar da terra natal de Drummond: Minas Gerais. Mas lembre-se. Esse é um livro triste. Na maior parte do tempo ele tece críticas pesadas sobre sua terra.  

Lábios Cerrados

Aqui temos 6 poemas com temática de silêncio. Nessa parte foi muito mais fácil colocar um clima triste e amargo, porque neles Drummond falou de seus falecidos familiares, porém, ele ainda os tem consigo na lembrança. 

A Máquina do Mundo

E finalmente a última e mais importante parte de Claro Enigma. São 2 poemas com tema de existencialismo, sendo que um deles tem o mesmo nome desta sexta parte. Esse poema foi eleito o melhor poema daquele século. Ele foi inspirado em Os Lusíadas, obra que retrata Vasco da Gama descobrindo a Máquina do Mundo

Resumo de “A Máquina do Mundo”

Como esse é um poema muito importante para acertar as questões sobre Claro Enigma, além de um dos mais importantes da história do Brasil daremos um espaço só para ele. 

A Máquina do Mundo é um longo poema feito inteiramente em tercetos (estrofes com 3 versos). Por si só, já temos referências a obras como “A Divina Comédia” de Dante Alighieri que também apresenta uma passagem inteira em tercetos. 

Contudo, a inspiração mais próxima foi de “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões. Em sua obra, o português imagina a máquina como uma representação do universo. A mesma máquina apareceria em 1979 com o lançamento do livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias” em que essa máquina aparece e revela o segredo do universo.

Em seu poema, Drummond conta com um eu-lírico caminhando por uma estrada de Minas Gerais. De repente, ele encontra com a Máquina e ela decide lhe revelar todos os segredos do universo. Contudo, ele humildemente recusa e continua sua jornada

Agora que terminamos o resumo do livro vamos deixar um link para o PDF para que você possa ler na íntegra. Mas fica aí porque você ainda precisa ver a análise do livro para fazer as questões sobre Claro Enigma. 

Análise de Claro Enigma

Já no título temos nossa primeira pista da agonia contraditória em que vive o autor. Afinal, como um enigma pode ser claro e continuar sendo um enigma? Essa é uma figura de linguagem chamada oximoro e ela representa a confusão que vive Drummond no momento.  

Contexto

O mundo vivia o início da Guerra Fria em que sempre pairava uma apreensão com relação a uma guerra nuclear. As pessoas tinham medo de o que aconteceu com o Japão acontecesse em todo o mundo

Rompimento com o Modernismo

Aqui Drummond começa a rejeitar o radicalismo modernista que estava se saturando. Ele volta aos sonetos, poesias longas e reflexivas, versos com métricas, referências eruditas e não coloquiais

Pessimismo

Neste livro o poeta está entediado. Os acontecimentos o aborrecem. Ele se desencantou com o mundo. Não se preocupa com os outros e nem está feliz pelo conhecimento que tem. Perdeu o sabor de descoberta. Esse mundo está podre

Intertextualidade

Talvez esse seja um dos livros de Drummond com mais referências a outras obras de outros poetas. Um exemplo é quando ele ironiza Nietzsche, autor de “A Gaia Ciência”, que significa “A Ciência alegre”. Drummond escreve então “A ingaia ciência”, que quer dizer “A Ciência triste”, referenciando sua perda de amor pelo conhecimento

Existencialismo

Outra influência para Drummond nesse livro foi o filósofo existencialista, Sartre. Drummond se baseia na filosofia dele de que as coisas são como são e não podem ser mudadas. É a filosofia da resignação. Através dela, Drummond adota o tom sombrio para sua obra. 

Drummond começa a refletir sobre sua existência ao longo dos poemas e chega a conclusão que está velho e seu fim está próximo. Ele aceita e segue em frente. 

Questões sobre Claro Enigma

Chegou a hora de fazer as questões sobre Claro Enigma. Recomendamos que baixe nosso Plano de Estudos. Ele será muito útil para você. Obrigado por ter lido até aqui e boa sorte. 

1- (FUVEST 2018)

Os bens e o sangue

VIII

(…)

Ó filho pobre, e descorçoado*, e finito

ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais

com a faca, o formão, o couro… Ó tal como quiséramos

para tristeza nossa e consumação das eras,

para o fim de tudo que foi grande!

Ó desejado,

ó poeta de uma poesia que se furta e se expande

à maneira de um lago de pez** e resíduos letais…

És nosso fim natural e somos teu adubo,

tua explicação e tua mais singela virtude…

Pois carecia que um de nós nos recusasse

para melhor servir-nos. Face a face

te contemplamos, e é teu esse primeiro

e úmido beijo em nossa boca de barro e de sarro.

Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.

* “descorçoado”: assim como “desacorçoado”, é uma variante de uso popular da palavra “desacoroçoado”, que significa “desanimado”.

** “pez”: piche.

Considere as seguintes afirmações:

I- Os familiares, que falam no poema, ironizam a condição frágil do poeta.

II- O passado é uma maldição da qual o poeta, como revela o título do poema, não consegue se desvencilhar.

III- O trecho “o fim de tudo que foi grande” remete à ruína das oligarquias, das quais Drummond é tributário.

IV- A imagem de uma “poesia que se furta e se expande/à maneira de um lago de pez e resíduos letais…” sintetiza o pessimismo dos poemas de Claro enigma.

Estão corretas:

a) I e II, apenas.

b) I, II e III, apenas.

c) II e IV, apenas.

d) I, III e IV, apenas.

e) I, II, III e IV.

2- (FGV 2018)

Legado

Que lembrança darei ao país que me deu

tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?

Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu

minha incerta medalha, e a meu nome se ri.

E mereço esperar mais do que os outros, eu?

Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.

Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,

a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.

Não deixarei de mim nenhum canto radioso,

uma voz matinal palpitando na bruma

e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.

De tudo quanto foi meu passo caprichoso

na vida, restará, pois o resto se esfuma,

uma pedra que havia em meio do caminho.

Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.

É compatível com o poema de Drummond o que se encontra na
seguinte alternativa:

a) O poeta realiza um balanço, entre decepcionado e irônico, de seu próprio percurso poético, o que inclui até mesmo uma referência a um de seus poemas anteriores mais conhecidos.

b)  O poema recupera a forma clássica do soneto com o intuito principal de criticar o tradicionalismo que assolava a poesia brasileira desde a assim chamada “Geração de 1945”.

c)  O texto se configura como uma profissão de fé nacionalista, dirigida contra o caráter enganoso e nocivo das influências estrangeiras sobre a cultura nacional.

d) O eu lírico lança mão da metalinguagem para dar voz a seu amargo arrependimento de ter participado do movimento modernista, que ele agora repudia.

e) A presença de referências mitológicas, em especial ao mito de Orfeu, insere o poema na tradição pagã inaugurada, no Brasil, pelo Parnasianismo.

3- (FGV 2018)

Legado

Que lembrança darei ao país que me deu

tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?

Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu

minha incerta medalha, e a meu nome se ri.

E mereço esperar mais do que os outros, eu?

Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.

Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,

a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.

Não deixarei de mim nenhum canto radioso,

uma voz matinal palpitando na bruma

e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.

De tudo quanto foi meu passo caprichoso

na vida, restará, pois o resto se esfuma,

uma pedra que havia em meio do caminho.

Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.

Nas palavras sublinhadas no trecho “entre o talvez e o se” (verso 8), o poeta obtém efeito expressivo por meio da derivação imprópria (quando há mudança da categoria gramatical de uma palavra sem modificação de sua forma). Esse processo de formação de palavras só NÃO ocorre no seguinte provérbio:

a) O mentir vem do pouco ver e do muito ouvir.

b) Mais vale um não a tempo que um sim retardado.

c) Mais se arrepende quem fala do que quem cala.

d) Onde entra o beber, sai o saber.

e) O fácil de se dizer é difícil de se fazer.

4- (FAC. ALBERT EINSTEIN – MEDICINA 2018)

A MÁQUINA DO MUNDO

E como eu palmilhasse vagamente

uma estrada de Minas, pedregosa,

e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos

que era pausado e seco; e aves pairassem

no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo

na escuridão maior, vinda dos montes

e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu

para quem de a romper já se esquivava

e só de o ter pensado se carpia.

( … )

O acima integra um poema maior da obra Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Considerando o poema como um todo, NÃO É CORRETO afirmar que

a) caracteriza-se por um tom sombrio, insere-se nos poemas escuros da obra e apresenta o material temático desenvolvido no poema.

b) revela o lirismo  filosófico e existencial do poeta sob a configuração de uma máquina que se mostra a um desiludido viajante.

c) personifica um caminhante que aceita o convite que lhe é feito, e decifra a máquina do mundo, compreendendo, assim, o sentido íntimo da vida e de tudo.

d) mantém uma relação dialogal com mesmo tema de obra de Camões e com a estrutura poético-narrativa da obra de Dante Alighieri.

5- (FACULDADE DE MEDICINA ALBERT EINSTEIN 2017)

Oficina Irritada

Eu quero compor um soneto duro

como poeta algum ousara escrever.

Eu quero pintar um soneto escuro,

seco, abafado, difícil de ler.

Quero que meu soneto, no futuro,

não desperte em ninguém nenhum prazer.

E que, no seu maligno ar imaturo,

ao mesmo tempo saiba ser, não ser.

Esse meu verbo antipático e impuro

há de pungir, há de fazer sofrer,

tendão de Vênus sob o pedicuro.

Ninguém o lembrará: tiro no muro,

cão mijando no caos, enquanto Arcturo,

claro enigma, se deixa surpreender.

O texto acima é de Claro Enigma, obra de Carlos Drummond de Andrade. De sua leitura se pode depreender que

a) é um poema que segue rigorosamente os procedimentos de construção do soneto clássico e tradicional, particularmente quanto à disposição e ao valor das rimas e ao uso da chave de ouro como fecho conclusivo do texto.

b) é um metapoema e revela que o soneto que o autor deseja fazer é o mesmo que o leitor está lendo, como a evidenciar na prática a junção do querer e do fazer.

c) utiliza-se de expressões como “tiro no muro” e “cão mijando no caos”, que, além de provocar mau gosto e o estranhamento do leitor, rigorosamente, nada têm a ver com a proposta de elaboração do poema.

d) faz da repetição anafórica e do paralelismo dos versos, um recurso de composição do poema que o torna enfadonho e antiestético e revela um poeta de produção duvidosa e menor.

Respostas das Questões sobre Claro Enigma

Exercício resolvido da questão 1 –

e) I, II, III e IV.

Exercício resolvido da questão 2 –

a) O poeta realiza um balanço, entre decepcionado e irônico, de seu próprio percurso poético, o que inclui até mesmo uma referência a um de seus poemas anteriores mais conhecidos.

Exercício resolvido da questão 3 –

c) Mais se arrepende quem fala do que quem cala.

Exercício resolvido da questão 4 –

c) personifica um caminhante que aceita o convite que lhe é feito, e decifra a máquina do mundo, compreendendo, assim, o sentido íntimo da vida e de tudo.

Exercício resolvido da questão 5 –

b) é um metapoema e revela que o soneto que o autor deseja fazer é o mesmo que o leitor está lendo, como a evidenciar na prática a junção do querer e do fazer.

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