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O que é metafísica? Entenda este conceito e sua história

o que é metafísicaO que é Metafísica?

A metafísica é um dos temas mais importantes da Filosofia. É a partir dela que se conhece o que as coisas são em si mesmas. Muitos filósofos escreveram sobre este tema e ele é figurinha carimbada nas provas de vestibulares e do Enem. Por isso, fizemos esse artigo para você ficar por dentro do que é metafísica e se preparar para as provas.

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O que é Metafísica?

Já percebeu como as pessoas têm a capacidade de se espantar com a realidade? As coisas acontecem e, então, há um assombro, uma certa perplexidade. Isso nas coisas mais simples.

Algumas perguntas de crianças sobre, por exemplo, por que chove ou de onde os bebês vêm são assim. Esse tipo de encanto com o que nos rodeia é, segundo Aristóteles, o momento em que a pessoa se torna um filósofo.

A essência da filosofia é conhecer a realidade. Por isso, o filósofo é quem se pergunta sobre o real. E, quando o filósofo avança para além das aparências físicas das coisas e dos seres, a metafísica passa a acontecer.

A metafísica é a parte da Filosofia que examina a natureza fundamental da realidade. Os autores metafísicos se interessam em conhecer a totalidade do ser, diferente dos pesquisadores das demais áreas, que estudam as partes do ser.

A metafísica está preocupada em conhecer o ser na sua intimidade, naquilo que lhe é mais próprio. É como se nós buscássemos retirar todos os preconceitos que temos sobre uma pessoa, para conhecê-la integralmente.

As perguntas principais desta área da Filosofia são:

  1. O que existe?
  2. Como é o que existe?

Assim, o interesse principal é saber o que as coisas são realmente e como elas são. Esse é um ato de desvelamento, de retirada de véus das realidades que se escondem. Por isso, o filósofo Julián Marías disse que a metafísica era tornar patente o que é latente.

É esta área que vai investigar a origem dos seres, as causas que condicionam a existência das coisas, a alma, o movimento e até mesmo a existência de Deus.

Deste modo, Aristóteles entendia a metafísica como a primeira ciência, a própria sabedoria e a verdade. Isto porque os objetos da metafísica eram os mais importantes e seu estudo dava uma sólida certeza sobre as coisas.

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O que significa metafísica?

Você já deve ter ouvido falar em justaposição. É como algumas palavras são formadas a partir de outras que se unem, mas sem sofrer alterações na sonoridade, na acentuação ou na forma escrita.

A palavra metafísica se formou assim. Um dos discípulos de Aristóteles, quando foi organizar sua obra, notou um conjunto de textos sem título, mas que estavam depois dos escritos sobre a física.

Ou seja, estavam para além da física. Isto, em grego, fica tà metà tà physika. Ao juntar os termos, passou-se a ter o nome da disciplina: Metafísica.

Segundo Santo Tomás de Aquino, que comentou a obra de Aristóteles e a uniu à doutrina cristã, há uma divisão pedagógica e cronológica no nome da disciplina. Ela deveria ser estudada após a aquisição do conhecimento sobre o mundo físico.

O termo ganhou um sentido, além de um título dado a uma organização de livros. Passou-se a entender Metafísica como o estudo ou conhecimento além do mundo material.

Quais são as vertentes da metafísica?

A metafísica tem 3 vertentes principais. São elas:

  • Ontologia: é a ciência do ser enquanto ser. A palavra vem de onto (ser) e logos (estudo). É a ontologia que dá respostas sobre o que é o ser. Por exemplo, é a partir dela que se diz o que é o homem.
  • Teologia: é a ciência que estuda a existência de Deus. A metafísica é tida pelos filósofos cristãos como teologia natural, ou seja, o estudo sobre Deus baseado na razão e sem o auxílio da revelação que Deus teria feito de si mesmo nas escrituras.
  • Gnosiologia: é o ramo da filosofia que estuda como a inteligência conhece as coisas. É também conhecida como teoria do conhecimento.

Como a metafísica foi estudada ao longo da história?

Apesar de o nome da área ser originado da obra de Aristóteles, ele não foi o primeiro nem o último filósofo a escrever sobre metafísica. Antes dele, Tales de Mileto se perguntou sobre a origem das coisas: qual o princípio de tudo?

Platão, que foi mestre de Aristóteles, também contribuiu para o progresso da disciplina. Ele interrogou-se em diversos livros sobre a imortalidade da alma humana, sobre o surgimento do mundo, sobre o amor, sobre o conhecimento, etc.

No entanto, é com Aristóteles que a Metafísica entra num patamar diferente com relação à sistematização. E é sua filosofia que vai perdurar até o século XVIII como a autoridade central acerca desse assunto.

O que é  Metafísica para Aristóteles?

A principal contribuição de Aristóteles neste campo se dá na diferenciação que ele faz entre forma, substância e matéria. Além de suas teses sobre a alma humana e as causas necessárias para que as coisas venham à existência.

Forma, substância e matéria

Aristóteles concebia a existência de formas e matérias com as quais os seres existiam. As formas são as ideias universais nas quais as matérias devem se encaixar. Assim, há a forma humana na qual o corpo se encaixa.

A substância seria o elo entre forma e matéria, ou seja, aquilo que permite o encaixe entre ambas. No entanto, Aristóteles assumia que as formas são imutáveis e as matérias mutáveis, o que levaria a um problema de adequação da matéria à forma.

A resolução do problema é encontrada nos conceitos de ato e potência. O ato é o que a matéria é agora, enquanto a potência é o que a matéria pode vir a ser ou realizar. Toda matéria pode realizar o que tem como potência.

Um exemplo disso é a criança que existe enquanto criança, mas pode tornar-se adolescente e adulto, depois velho. É criança em ato, mas tem a potência de ser adulto.

A possibilidade de conhecimento que todos os humanos têm não necessariamente se atualiza, por exemplo. É por isso que Julián Marías ao dizer que o ser humano é racional faz a ressalva: 

Isso quer dizer que pode ser racional, não que seja o tempo inteiro.

Teoria das quatro causas

Você deve lembrar daquela brincadeira de colocar dominós numa fileira e derrubar o primeiro. Os demais seguiam derrubando uns aos outros, por causa desse movimento anterior. Isso se deve ao princípio de causalidade.

Segundo este princípio, tudo o que acontece no mundo tem uma causa anterior, exceto a causa não causada, que seria o primeiro motor. Ao regredir nas causas, seria necessário chegar a um primeiro motor que não é causado, ou, pelo contrário, haveria um loop infinito.

Para Aristóteles, há quatro causas fundamentais para que as coisas venham a existir. São elas:

  • Causa material: é o que sofre a ação de uma causa eficiente. Por exemplo, a madeira que é transformada em mesa a partir da ação do marceneiro.
  • Causa formal: é a forma, ideia ou conceito de um ser. Usando o mesmo exemplo da mesa, há uma forma de mesa à qual a madeira será adequada.
  • Causa final: diz respeito à finalidade do ser. Para qual objetivo ele existe? Usando o exemplo da mesa, ela serve como apoio para objetos.
  • Causa eficiente: é o que age sobre a matéria para trazer algo à existência. A causa eficiente da mesa é o marceneiro.

Para Aristóteles, a ética é fundamentada pela metafísica. Ou seja, o agir bem sobre as coisas e no mundo depende do conhecimento que se tem sobre o mundo e sobre as coisas.

O que é Metafísica para Kant?

Outro filósofo que tratou da Metafísica foi Immanuel Kant. Apesar de dizerem que ele teria matado a Metafísica, ele apenas teria escrito que há algumas questões metafísicas que a inteligência humana é incapaz de responder, como a existência de Deus.

Seu entendimento é que, não podendo provar racionalmente algumas coisas, não vale a pena se ocupar com elas. Deste modo, ele muda as perguntas. Os questionamentos passam a ser feitos não sobre o ser das coisas, mas como elas podem ser conhecidas.

Isso ficou exposto na sua obra Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de 1785.

Após Kant, surgiram as críticas materialistas à Metafísica. O Materialismo Histórico de Karl Marx e o Positivismo de Auguste Comte são dois exemplos de produção intelectual ferrenhamente contrária aos princípios metafísicos.

Porém, no século XX, a metafísica será abordada na obra de filósofos como Julián Marías, Louis Lavelle, Jacques Maritain, Xavier Zubiri dentre outros.

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