Sociologia

Conservadorismo: resumo completo sobre o assunto!

Entenda logo o que é o Conservadorismo e suas ideias!Entenda logo o que é o Conservadorismo e suas ideias!

O conservadorismo é uma filosofia política que defende a permanência das instituições que apresentaram bons resultados e que resistiram ao longo do tempo. Ele costuma estar ligado a valores tradicionais e se opõe às mudanças que ocorrem de maneira radical ou violenta. 

Neste artigo sobre Conservadorismo, você encontrará:

  1. O que é Conservadorismo: contexto histórico e representantes
  2. Características do pensamento conservador: liberdade, ordem, moral, individualidade, racionalismo e tradição
  3. Liberalismo e Conservadorismo
  4. Conservadorismo no Brasil

O que é Conservadorismo?

O conservadorismo ou conservantismo é um pensamento filosófico, político, cultural e social. Ele defende a permanência das instituições que apresentaram bons resultados e  resistiram ao longo do tempo.

Ele costuma estar associado a certos valores tradicionais locais, por isso, existem variações e tipos de conservadorismo

Assim, conservadores de diferentes partes do mundo podem discordar em certos pontos, embora tenham características básicas comuns. Todos os tipos se opõem às propostas de mudanças radicais e violentas.

Hoje em dia este termo costuma ser usado em disputas políticas e até como algo negativo. Há ainda quem confunda esse conceito com outros! 

Que tal conhecermos o contexto em que surgiu e o que defende para depois criarmos nossas opiniões a favor ou contra? Vem com a gente!

Contexto Histórico e origem do Conservadorismo

Algumas vertentes de conservadores atribuem a origem de seus pensamentos aos filósofos gregos e medievais, como Cícero e Aristóteles. Isso porque beberam dos conceitos deles, relacionando e estruturando o restante.

Mas a historiografia entende que o Conservadorismo, como movimento político, surge entre os séculos 17 e 19, em oposição às rápidas mudanças que aconteceram na Europa.

As revoluções burguesas provocaram rupturas muito intensas nas tradições, costumes, hábitos, crenças, política, economia e todos os setores da vida humana. 

Por conta desse impacto violento, foram surgindo novos pensadores contrários ou favoráveis aos princípios iluministas e revolucionários: conservadores, reacionários, liberais, libertários, progressistas, anarquistas, socialistas, tradicionalistas, etc.

Os conservadores se opunham ao método revolucionário e aos valores iluministas, queriam resgatar o que foi destruído pelas revoluções. 

Depois que a ordem e os valores estivessem restaurados, buscariam aperfeiçoar com calma o que precisava de melhoria.

Quem é o pai do conservadorismo? 

O primeiro uso do termo “conservador” foi usado de forma genérica no contexto da restauração de Bourbon, na França, em oposição à Revolução Francesa.

Porém, o inglês Edmund Burke, um político do século XVIII, é considerado o pai do conservadorismo porque foi o primeiro a sistematizar alguns pontos básicos do pensamento. Ele influenciou muitos outros que vieram adiante.

Burke também se opunha à Revolução Francesa, mas apoiava a Revolução Americana. Isso nos mostra que não há um único conjunto de políticas que sejam universalmente conservadoras.

Outros representantes

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Dentre as referências dos conservadores, destacam-se :

  • Edmund Burke (inglês, 1729-1797): foi contrário à Revolução Francesa mas apoiou a Americana, a república e a preservação do cristianismo.
  • Joseph de Maistre (francês, 1753-1821), defensor da monarquia e opositor do movimento revolucionário.
  • Louis de Bonald (francês, 1754-1840): defendeu o Antigo Regime, a Igreja Católica, a restauração da tradição e a monarquia
  • Alexis de Tocqueville (francês 1805-1959): era defensor da descentralização do poder, da liberdade ordenada e dos costumes locais.
  • Russell Kirk (americano, 1918 – 1994): considerada a política como um meio de preservar a ordem natural, não como um aparelho ideológico para transformar a natureza humana. Se opunha à violência das revoluções.
  • Roger Scruton (britânico, 1944-2020): uma das referências mais recentes, foi um escritor propagador das ideias conservadoras, contando a história desse pensamento de forma acessível a qualquer leitor.

Postura conservadora vs Conservadorismo

É importante não confundir o pensamento Conservador com a atitude conservadora. Uma atitude conservadora se aplica a qualquer postura que busca manter a situação do jeito que está. 

Um socialista ou um liberal que esteja governando pode ser conservador nesse sentido, pois deseja manter-se no poder e quer a continuação de suas políticas. Assim, um revolucionário pode ser chamado de conservador depois do sucesso de sua revolução.

Mas, neste artigo, estamos falando do pensamento e filosofia do Conservadorismo. Que é uma identidade própria, diferente dos outros grupos políticos.

Características do pensamento conservador

O conservadorismo não se refere a um conjunto de valores fechados. Na realidade, existem diferentes tipos de conservadorismo dependendo do tempo e do local que analisamos.

Há o conservadorismo inglês, francês, americano, católico, protestante, ateu, oriental e tantos outros!

O conservadorismo é mais um estilo, forma ou modelo de encarar a realidade social. Não um conjunto de objetivos universais a ser alcançado.

Ainda assim, podemos citar algumas características comuns a todo conservador:

  • Liberdade política e econômica
  • Individualidade e nacionalismo
  • Ordem e moral
  • Igualdade e desigualdade
  • Racionalidade e tradição

Vamos entender como o pensamento conservador enxerga esses princípios:

Liberdade

Para o conservador, é essencial que haja liberdade política e econômica. Isso significa que cada país, de acordo com sua cultura e tradição local, sabe olhar para a sua própria história e ver o que melhor funcionou ali.

O conservadorismo se opõe a qualquer tipo de utopia. Ele não acredita em um único modelo político que deve ser aplicado a todos os países para resolver os problemas do mundo (Karl Marx acreditava). 

Além disso, o conservador não acredita que a liberdade é o ponto de partida. Para ele, a liberdade é algo que foi se desenvolvendo ao longo da experiência humana. 

Por mais que ela seja um valor essencial, não está acima de tudo. As consequência da liberdade em cada setor da vida humana é que são avaliadas para verificar o seu valor naquele contexto. 

Por isso há liberdade econômica e política, mas há uma moral e ordem bem estabelecidas.

Individualidade

O conservador valoriza a individualidade, ou seja, a liberdade do indivíduo ter propriedade privada, direito à defesa pessoal, familiar e de seus bens. 

Ele acredita que o coletivo deve ser a expressão natural dos indivíduos. Mas não deve haver um coletivo que queira moldar as convicções políticas e econômicas do indivíduo, pois isso seria ferir a liberdade individual.

Apenas o sentimento de nacionalismo é uma característica comum aos indivíduos de certo  país, porque cresceram em uma mesma história e compartilham de alguns valores. Mas isso não anula as diferenças entre famílias e não é uma tentativa de tornar todos iguais.

Ordem e moral

Para o conservador é essencial que haja ordem social e moral, esses são princípios inegociáveis.

Para o conservadorismo ocidental, a base moral contém elementos do cristianismo e a base da ordem social contém elementos do direito romano

Essa característica não surgiu ao acaso. Ao longo do tempo, as sociedades que seguiram esses princípios se mostraram mais estáveis, duradouras e produtivas. Não é atoa que se mantiveram de pé após os milênios e as revoluções.

É nessa parte do pensamento conservador que encontramos algo capaz de regular o conceito de liberdade. São as experiências herdadas pela ordem e moral que avaliarão até que ponto uma liberdade é benéfica e racional.

Igualdade e desigualdade

O conservadorismo valoriza a diversidade do individualismo, então rejeita a igualdade como um objetivo universal e absoluto, alcançado a qualquer custo. 

Ele entende que nem sempre a igualdade é justa e que nem sempre a desigualdade é injusta. Para ele, é necessário avaliar as consequências em cada contexto.

O conservador acredita que a igualdade político-jurídica é suficiente. Isso significa que a lei deve tratar a todos exatamente da mesma forma, sem políticas de favorecimento a grupos majoritários ou minoritários. 

A lei deve existir para assegurar a todos os indivíduos o direito de poder lutar para conquistar seus objetivos por conta própria. 

Não deve haver interferência direta na vida do sujeito, por exemplo, dando uma casa igual para todos os cidadãos. 

A garantia de igualdade é que exista meios de sustento. Assim, cada indivíduo poderá escolher aceitar ou não determinada oportunidade, ser remunerado de acordo com seu esforço e comprar uma casa à sua escolha.

Racionalidade e tradição

O conservador se opõe às mudanças radicais e revoluções porque elas são carregadas de sentimentos e impulsos, além de buscarem destruir o que veio anteriormente e propor coisas completamente novas de uma só vez. 

Para o conservador isso é irracional, pois ele reconhece que nem toda mudança é boa. A força, a riqueza, a independência individual e coletiva resultam do equilíbrio das regras, vindo da experiência e da tradição. 

O pensamento conservador se define como realista por ser baseado na observação, indução e na experiência. Isso contrapõe o idealismo e utopismo dos progressistas ou reacionários. 

O conservador mantém aquilo que se mostrou benéfico de um modo geral ao longo do tempo. Então ele prefere não mudar se algo já for bom, mas sabe reconhecer as falhas que surgem e buscar soluções para superá-las gradativamente. 

As mudanças pontuais devem ser feitas devagar, para que se possa ver as consequências e corrigi-las já ao longo do processo. 

Portanto, há uma forte conexão entre o conservadorismo e os valores tradicionais, mas que foram acolhidos após uma análise racional. 

O conservador não vê a tradição de forma estática e inalterável, mas como algo que se formou e permaneceu através das mudanças. 

O que é ser liberal e conservador?

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Primeiro, é importante deixar claro que existem diferenças e semelhanças entre o pensamento conservador e o liberal. Também é bom saber que ter pontos em comum não torna as coisas iguais.

O conservador tem a liberdade como algo que se tornou valorizado a partir da experiência. Para o liberal é diferente, a liberdade é o ponto de partida, um valor absoluto. Por causa disso, eles podem divergir em alguns assuntos políticos e morais.

Ainda assim, é comum vermos uma aliança entre liberais e conservadores, porque eles têm um opositor em comum

Ambos se opõem aos processos revolucionários, às utopias coletivistas, à social-democracia, ao anarquismo e ao comunismo.

Além disso, alguns tipos de conservadorismo perceberam que o Estado máximo (muita intervenção do governo) era prejudicial. Então concordaram com o Estado mínimo defendido pelo liberalismo.

Eles são dois grupos diferentes, pois a motivação dos princípios e o tipo de raciocínio são distintos. Porém, é possível uma aliança entre esses grupos enquanto estão lutando por um objetivo em comum.

O que é ser conservador no Brasil?

O conservadorismo no Brasil é algo bem diluído. Ele não é representado por nenhum partido próprio, mas pode ser encontrado em meio aos partidos de direita.

Não existe uma identidade de “conservadorismo brasileiro”, porque ele é muito fragmentado e mistura pautas do conservadorismo inglês, francês e até do liberalismo.

Ainda assim, quando alguém usa o termo “conservador” no Brasil, ele costuma se referir às tradições culturais do direito romano, filosofia grega, do cristianismo e valores ibéricos.

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