História

Resumo das Revoluções Burguesas: causas e consequências!

Saiba quais foram as Revoluções Burguesas e suas características!Saiba quais foram as Revoluções Burguesas e suas características!

As Revoluções Burguesas foram o conjunto de revoltas que partiram da burguesia com objetivo de romper com a herança política e econômica que havia anteriormente. Aconteceram em vários locais e datas, mas as principais foram as Inglesas (Puritana e Gloriosa – século XVII) e a Francesa (século XVIII)!

Neste artigo sobre Revoluções Burguesas, você encontrará:

  1. O que foram as Revoluções Burguesas
  2. Contexto histórico e antecedentes
  3. Revoluções Inglesas e Francesa
  4. Importância e consequências

O que foram as Revoluções Burguesas?

As revoluções Burguesas foram um conjunto de alterações sociais, políticas e econômicas que marcaram a Idade Moderna. Elas modificaram tudo o que a Europa conhecia até então, criando uma nova ordem que girava em torno da burguesia.

Houve um completo rompimento do modelo feudal , oposição ao Absolutismo e consolidação do capitalismo. As questões políticas e religiosas foram modificadas e impulsionaram as revoluções industriais

Os ideais defendidos pelos revolucionários influenciaram a Europa e os demais continentes ocidentais (América e África), refletindo até nos dias de hoje!

Atenção!

Você já deve saber que as revoltas são insatisfações de grupos sociais contra um acontecimento específico. Mas é importante lembrar que Revolução é diferente de Reforma!

  • Reforma: quando uma revolta gera uma mudança pontual em algum setor, mas não põe abaixo a ordem e estrutura.
  • Revoluções: são processos drásticos e agressivos. Elas destroem algo que havia anteriormente para trazer algo completamente novo. É uma mudança na base daquela sociedade.

Contexto histórico das Revoluções Burguesas

Elas aconteceram em um período muito conflituoso e repleto de novidades

Para entender o motivo de ter sido um marco, como se desenvolveu e como influencia o pensamento de hoje, vamos dividir o contexto histórico em 3 fases para você acompanhar com calma as transformações!

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O fim do medievo

Na Idade Média, o modelo feudal era uma sociedade agrária dividida em áreas sob proteção e administração de cada senhor feudal. Por mais que possuíssem autonomia, eram submetidos a algum rei que variava de acordo com época e região. Existiam reinos aliados e rivais, tornando as relações dinâmicas e complexas.

A fé Católica era comum a todos e o clero possuía autoridade. Apesar de todas as diferenças e conflitos entre os diferentes reinos, a fé era um fator que despertava sentimento de unidade e caracterização dos medievais. 

Juntos, os reinos se voltaram para as cruzadas. Assim, o comércio entre regiões surgiu e as feiras se tornaram pontos de encontros. A troca de conhecimentos entre oriente e ocidente impulsionaram a Igreja a criar as primeiras universidades e hospitais.

Tudo isso acontecia em estradas ou na beira dos feudos, não estavam na área central. Assim, um novo tipo de “cidade” surge marcada pelo comércio: os burgos. Além de camponeses, nobres e clero, surge a burguesia

Pela infidelidade de vários clérigos à fé, surgiu também o Protestantismo. O cristianismo se fragmentou e fez com que a unidade entre os medievais diminuísse. 

A Igreja também condenava a Usura (juros abusivos) que surgiu no comércio, mas alguns protestantes consideravam a prosperidade como sinal de bênçãos.

A burguesia buscava espaço para crescer e esse contexto de divisão e contestação de autoridades era um cenário perfeito para aplicar sua autonomia econômica e para buscar a política.

Estados Modernos e Absolutismo

A burguesia (poder econômico) resolveu unir-se aos reis locais (poder político) para acabar com o modelo feudal que limitava os objetivos de ambos. Surgiu, então, os Estados-Nacionais com governos absolutistas. 

Com a nacionalização dos impostos e das moedas, os burgueses conseguiram prever e ampliar o lucro, enquanto os monarcas locais concentraram todo o poder em suas mãos, sem necessariamente se subordinarem a imperadores ou religiosos.

Ao mesmo tempo, surgiu a noção de identidade única para cada Estado e adoção de uma fé a sua escolha. Assim, os reis passaram a ter mais autoridade e muitas vezes adotaram a fé protestante como oficial, modificando a mentalidade popular e impulsionando o comércio.

O problema foi que os reis absolutistas começaram a concentrar tanto poder, que limitavam algumas ações comerciais. A burguesia, que era sua antiga aliada, começou a ficar descontente. 

O comércio burguês havia consolidado o capitalismo em meio ao mercantilismo. Porém, a burguesia entendeu que o mercantilismo não os levaria ao potencial máximo. 

Surge o liberalismo econômico, uma ideologia que busca a diminuição do poder do Estado na economia (os antigos aliados se tornaram inimigos)!

Antecedentes das Revoluções Burguesas

As transformações já tinham colocado em xeque a autoridade da religião, embora ela ainda fosse utilizada naquilo que era conveniente. Se a fé já tinha diminuído de importância, a cultura mercadológica impulsionou a racionalização do pensamento.

Agora, a razão era o norte e o ideal da sociedade, era associada à felicidade e considerada a ferramenta que resolveria todos os problemas e conflitos.

Assim, o Iluminismo surgiu como o grande norteador dos valores sociais. Essa tradição de pensamento tinha como princípio a razão acima de tudo, a liberdade plena e autonomia individual (para questões culturais, políticas e econômicas).

A mentalidade da população já começava a ser moldada por esses valores. A burguesia era quem tinha poder econômico e servia de referência para unir todos contra os reis absolutistas e criar uma nova ordem

Qual foi a primeira revolução burguesa da história?

As revoluções burguesas se iniciam na Inglaterra, também conhecidas como Revoluções Inglesas (1640 – 1688). A primeira de todas foi a Revolução Puritana seguida pela Revolução Gloriosa. A segunda foi complemento da primeira e garantiu o fim do absolutismo com o surgimento do primeiro Estado burguês (monarquia parlamentar).

Depois, houve a revolução burguesa mais famosa de todas: a Revolução Francesa (1789 – 1799). Esta é o ápice dos ideais revolucionários burgueses, e influenciou todos os processos que vieram depois, até os dias de hoje.

Revolução Puritana

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As monarquias costumam estar relacionadas às dinastias, isto é, famílias antigas com uma linhagem de herdeiros ao para sucederem e manter o trono ocupado. É o que chamamos de família real!

Na Inglaterra, a monarquia absolutista começou com a dinastia Tudor, quando houve um grande desenvolvimento econômico e consolidação do anglicanismo como religião oficial. Também houve o início da colonização dos Estados Unidos e a política de cercamentos que influenciou a posterior revolução industrial.

Porém, no Parlamento inglês, a religião mais influente e com maior poder econômico era a calvinista. O catolicismo não tinha mais representatividade e era perseguido junto aos luteranos pela coroa anglicana.

Quando a rainha Elizabeth I morreu, a dinastia Tudor chegou ao fim e começou a dinastia Stuart com a coroação do rei Jaime I e seu sucessor Carlos I. 

As medidas tomadas por eles eram vistas como desagradáveis ao Parlamento, como as tentativas de união da Escócia à Inglaterra, arrecadação de impostos para formar exército e retomada do catolicismo. 

A revolução burguesa estourou durante a dinastia Stuart tanto por questões econômicas quanto religiosas. 

De um lado estavam os Cavaleiros que apoiavam o rei, a nobreza e os católicos. De outro estavam os Cabeças Redondas que apoiavam o Parlamento e a burguesia protestante.

O Parlamento organizou um exército de rebeldes liderados por Oliver Cromwell. Após uma intensa guerra civil, os Cabeças Redondas derrotaram os Cavaleiros. 

Carlos I foi condenado à morte e surgiu república na Inglaterra chamada de  “Commonwealth”. Cromwell assumiu a república, mas foi violento e intolerante. Após sua morte, os ingleses retornaram à monarquia.

Revolução Gloriosa

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A Revolução Gloriosa é como uma continuação da Puritana, mas foi a consolidação dessa nova época.

Após a experiência republicana, Jaime II (um rei católico) assumiu o trono e tentou restaurar o absolutismo. Como a maioria da população da Inglaterra era protestante burguesa, logo gerou desconfiança e insatisfação. 

A filha de Jaime e seu genro, Guilherme de Orange, eram protestantes e se uniram aos setores da população para depor o rei. Jaime II fugiu para França e o casal assumiu o trono.

Agora, o absolutismo chegou ao fim completo e os ingleses iniciaram a monarquia parlamentarista que existe até hoje!

É importante ressaltar que Guilherme só foi declarado rei quando aceitou a Declaração dos Direitos (Bill of Rights)

Esse foi um documento que limitava os poderes do rei e estabelecia a superioridade do Parlamento. Determinou-se também a criação de um exército permanente, a garantia da liberdade de imprensa e proteção à propriedade privada.

Revolução Francesa

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Naquela época, o principal marco não foram as disputas religiosas. Ocorreu que na França houve o maior e mais rigoroso monarca absolutista, Luís XIV, que declarou “o Estado sou eu”.

Esse país ainda não tinha realizado a revolução industrial e via na Inglaterra o seu maior rival. Também era um período de má produção agrícola, fome e miséria. Por isso, o país se via em desvantagem e culpava a nobreza pela situação. 

Com as constantes insatisfações e revoltas, o rei convocou os Estados Gerais (clero, nobreza e burguesia) para tentar resolver a situação. Os burgueses já tinham se articulado para assumir o poder e só estavam esperando a ocasião perfeita.

Quando a Assembleia Nacional Constituinte foi declarada, começou também a Revolução Francesa, em junho de 1789. O lema era “Igualdade, fraternidade e liberdade”, mas na prática houve muita violência e intolerância

Muitos religiosos e nobres eram perseguidos e mortos, as igrejas e palácios eram saqueados e destruídos. Havia uma guerra civil terrível que espalhou horror e medo nas ruas.

  • Para saber sobre os girondinos, jacobinos, fase da guilhotina, diretório e todos os elementos da Revolução Francesa, você pode acessar o nosso artigo completo!

Essa revolução teve três fases distintas e apesar de ter se iniciado com a burguesia, alguns grupos sociais mais pobres se uniram, como os camponeses

No final, acabaram criando a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, finalizada em 1791. Esse foi um marco histórico porque, pela primeira vez, houve institucionalização do conjunto de direitos que todos deveriam ter.

É nesse momento que surge a primeira declaração formal que garantia direitos universais aos seres humanos (como nós temos hoje) e que tentava desvincular a religião totalmente da esfera pública.

Além dos princípios iluministas, essa declaração exaltava o direito à propriedade e limitava o poder do rei. As terras da Igreja foram tomadas pelo Estado e vendidas para proprietários burgueses.

Dúvidas comuns sobre o assunto

Separamos três perguntas que vão concluir tudo o que dissemos até agora, e que costumam ser bem cobradas nas avaliações. Veja:

Qual revolução não foi burguesa?

Se considerarmos os séculos XVII e XVIII, todas as revoluções foram iniciadas pela burguesia. Porém, a Revolução Francesa teve o diferencial de ter sido a primeira a contar com a adesão de classes populares como camponeses, não foi exclusivamente burguesa.

Qual foi a importância das revoluções burguesas?

No seu contexto histórico, as revoluções burguesas foram importantes para: 

  • Consolidação do capitalismo e do liberalismo;
  • Ascensão da burguesia ao poder;
  • Fim do absolutismo;
  • Noção de individualidade, liberdade e igualdade;
  • Influência no processo de independência americana;
  • Institucionalização dos direitos básicos.

Como as revoluções burguesas contribuíram para os direitos fundamentais?

As Revoluções Burguesas contribuíram para a consolidação dos Direitos Fundamentais (Humanos), pois conseguiram institucionalizá-los (tornar oficial e obrigatório nos governos). Também enfraqueceu o absolutismo e, pela primeira vez, houve a divisão dos poderes políticos e a igualdade jurídica entre os cidadãos.

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