História

Resumo da Revolução Industrial [Origem, fases e consequências]

CapaRevoluc╠ºa╠âoIndustrialResumo da Revolução Industrial

O que foi a revolução industrial? A Revolução Industrial foi um processo de mudanças que aconteceram na Europa nos séculos XVIII e XIX, tendo-se iniciado na Inglaterra. Nela, o trabalho artesanal foi substituído pelo assalariado e pelo uso de máquinas, sendo sua principal característica. Leia nosso resumo da Revolução Industrial e entenda toda a História por trás desse acontecimento.

Este é um resumo da Revolução Industrial em todas as suas etapas. Veja as principais características das 1ª, 2ª, 3ª revoluções industriais.

Essa matéria é frequente nas questões de história do ENEM e de outros vestibulares.

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O que foi a Revolução Industrial? (RESUMO)

A Revolução Industrial consiste no processo que levou às modificações econômicas e tecnológicas que consolidou o sistema capitalista, além de permitir o advento de novas formas de organização da sociedade.

O surgimento da produção mecanizada em grande escala iniciou as transformações dos países da Europa e da América do Norte. Estas nações se tornaram hegemonicamente industriais e suas populações se concentraram cada vez mais nas cidades.

  • Aprenda mais sobre o que foi o processo de Urbanização após a Revolução Industrial.

Causas da Revolução Industrial (CARACTERÍSTICAS)

A Revolução Industrial não foi algo planejado em um escritório, mas um processo que originou-se pelas circunstâncias da História. Com a expansão do comércio na modernidade, as pessoas tentavam expandir seus negócios. Várias foram as técnicas para isso.

Na Inglaterra, começou-se um processo de industrialização onde máquinas passaram a fazer de maneira mais rápida o trabalho do homem, isso aumentou a produção e revolucionou a relação social e econômica da época. Mas por que isso aconteceu na Inglaterra?

O berço revolucionário foi a Inglaterra e não faltaram motivos para isso: 

  • Um parlamento suficientemente capaz e maduro para tomar decisões políticas, ou seja, um governo descentralizado
  • A proximidade das praias, pelo fato da Inglaterra ser uma ilha, e um fortalecimento na Marinha capaz de fazer um transporte de matérias-primas e produtos. 
  • A construção de canais e estradas para transporte
  • A forte presença de carvão (principal combustível da época) e ferro
  • A presença de intelectuais ingleses que, diferentemente de outros países, tinham liberdade para exercerem suas pesquisas.
  • O predomínio da religião protestante que facilitava a implantação de um sistema capitalista de produção, como bem colocado por Max Weber em seu livro “A Ética protestante e o ‘espírito’ do capitalismo”: Segundo ele, o católico prefere dormir bem e comer mal, já o protestante preza por comer bem mesmo que dormindo mal. O que geraria pessoas mais ambiciosas e aguerridas ao trabalho, sacrificando bem-estar por lucro.

Como foi a Primeira Revolução Industrial?

Sem dúvida alguma as máquinas idealizadas e criadas por esses intelectuais foram as protagonistas da revolução. Antes deste momento, diversas ideias e máquinas simples haviam sido desenvolvidas, porém, a sua aplicabilidade se tornou realmente impactante quando um engenheiro militar inglês, Thomas Savery, desenvolveu um motor capaz de ser utilizado dentro das fábricas. 

A máquina projetada por Savery tinha seu funcionamento baseado em vapor, entretanto, ela apresentava algumas dificuldades que impossibilitavam o seu uso de forma proveitosa — análise custo/benefício, isto é, gastos menores que lucro.

Devido a isso foi questão de tempo até um pesquisador chamado Thomas Newcomen produzir um motor a vapor capaz de substituir o trabalho antes feitos por cavalos, para extração do carvão feito nas minas, causando, como consequência, uma diminuição nos custos. 

Porém, somente com os ajustes na máquina a vapor de Newcomen feitos pelo engenheiro inglês James Watt — cujo nome inspirou a unidade de medida utilizada no Sistema Internacional de Unidades (SI), Watt (W) — que o processo de extração de carvão se tornou mais fácil e mais barato. Como resultado, foi questão de tempo até a ideia da industrialização se espalhar para outros setores.

Consequências da 1ª Revolução Industrial

Com o aumento no processo de produção através das máquinas e com a intensificação do comércio, não demorou muito a aparecer as consequências sociais. As pessoas antes viviam no campo e a forma com que eram produzidas suas riquezas se dava por organizações familiares, que detinham terras e lá produziam para subsistência e comercialização. 

Com a ida para a cidade, caso o indivíduo começasse a ter uma nova espécie de contrato entre o empregador e o patrão, o trabalho se tornaria mais específico e o salário independente da produção, ou seja, um salário já pré-estabelecido entre o contratante e o contratado. 

Não era possível se manter vivendo no campo e trabalhando na cidade. Logo, começou em alta escala um fenômeno denominado de êxodo rural, isto é, uma migração de pessoas do campo para a cidade em busca das oportunidades fornecidas por ela. 

Para se manter na cidade, era necessário trabalhar. Neste contexto, crianças e mulheres também se lançaram à jornada trabalhista para inteirar a renda em casa. As mulheres no mercado de trabalho era algo nada comum até esse momento, porém, o trabalho infantil estava presente na sociedade há tempos

O ambiente complexo da cidade, somado aos problemas sociais já existentes no campo, começou a se tornar mais evidente e, consequentemente, assunto para obra de diversos autores como Friedrich Engels, este caracterizado por criticar as mazelas sociais causadas pela revolução. 

No livro “A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra”, afirmou que as fábricas haviam destruído a vida tradicional e ordenada do campo para criar cidades imundas, bairros miseráveis e multidões de operários alienados. 

Ao denunciar os problemas sociais evidentes neste período, não há como discordar de Engels. A jornada dos operários ingleses passava de 12 horas por dia, 36% das crianças entre 10 e 14 anos trabalhavam fora de casa exercendo atividades extremamente pesadas e degradantes. Estes eram bastante úteis, pois o tamanho facilitava a entrada para limpeza de túneis e máquinas. 

Mendigos, meninos de rua, bêbados, prostitutas e desempregados vagavam entre ruas enlameadas e escurecidas pela fumaça das chaminés, os salários extremamente baixos e a higiene deplorável. Porém, existia um motivo para essas pessoas se manterem nessas condições, a necessidade. 

Elas precisavam comer e alimentar os filhos e a escolha entre o mísero salário ou a fome se tornava óbvio. Por mais que novos problemas de relacionamento surgissem na formação da cidade, como a acentuação da criminalidade, boa parte deles foram apenas evidenciados.

Como diria um dos maiores economistas do século XX, Ludwig Von Mises:

“É uma distorção dos fatos dizer que as fábricas arrancaram as donas de casa de seus lares ou as crianças de seus brinquedos. Os proprietários das fábricas não tinham o poder para obrigar ninguém a aceitar um emprego nas suas empresas. Podiam apenas contratar pessoas que quisessem trabalhar pelos salários que lhes eram oferecidos. Mesmo que esses salários fossem baixos, ainda assim eram muito mais do que aqueles indigentes poderiam ganhar em qualquer outro lugar. Aquelas mulheres não tinham como alimentar os seus filhos. Aquelas crianças estavam carentes e famintas. Seu único refúgio era a fábrica; que as salvou, no estrito senso do termo, de morrer de fome.” 

Ao dizer isso Mises não nega todo o sofrimento existente na época, e ressalta: “É deplorável que tal situação existisse. Mas, se quisermos culpar os responsáveis, não devemos acusar os proprietários das fábricas, que- certamente movidos pelo egoísmo e não pelo altruísmo – fizeram todo o possível para erradicá-la. O que causava esses males era a ordem econômica do período pré-capitalista, a ordem daquilo que, pelo que se infere da leitura das obras de muitos historiadores, eram os ‘bons velhos tempos'”.

Certamente, a discussão sobre os impactos sociais dessa nova forma de organização da sociedade e seus culpados é um longo debate. Porém, é fato que, a partir daí, houve drásticas mudanças. 

  • Grandes centros urbanos começaram a se formar, 
  • Pessoas começaram a enriquecer 
  • Indivíduos de origem pobre começaram a enriquecer para delírio da nobreza, que por diversas vezes tentou aplicar restrições legais ao enriquecimento dos mesmos.

A Revolução industrial deixou o mundo mais rico?

Uma das evidências que provam o real enriquecimento da época é o famoso gráfico de Maddison, que demonstra o aumento do PIB Per capta mundial nos últimos 2.000 anos.  

Gráfico de Maddison mostrando o crescimento do PIB per capita mundial desde o início da Revolução Industrial até hoje.

Com todo esse processo sendo feito, não demorou para a revolução se expandir para outras regiões da Europa. A revolução começou nesse período e se estende até os dias atuais em diferentes fases.

As transformações de trabalho, o surgimento da robótica, nanotecnologias, tudo age em prol do desenvolvimento econômico alimentando o chamado sistema capitalista e todas as suas consequências.

Fases da Revolução Industrial

As transformações tecnológicas, econômicas e sociais vividas na Europa Ocidental, que se iniciaram primeiramente na Inglaterra, por volta do século XVIII, tiveram inúmeros desdobramentos, que podem ser chamados de fases. Essas representam o processo evolutivo das tecnologias desenvolvidas e as mudanças socioeconômicas consequentes.

1ª Revolução Industrial (Fase 1)

A Primeira Revolução Industrial diz respeito ao processo de evolução tecnológica vivido a partir do século XVIII na Europa Ocidental, entre os anos 1760 e 1850. Esse processo estabeleceu uma nova relação entre a sociedade e o meio, e também possibilitou o surgimento de novas formas de produção que transformaram o setor industrial.

Características:

  • Substituição da energia produzida pelo homem por energias como a vapor, eólica e hidráulica;
  • Substituição da produção artesanal (manufatura) pela indústria (maquinofatura);
  • Existência de novas relações de trabalho.

As principais invenções que transformaram o cenário vivido na época da 1ª revolução industrial foram:

  • Utilização do carvão como fonte de energia;
  • Desenvolvimento da máquina a vapor e da locomotiva;
  • Desenvolvimento do telégrafo, um dos primeiros meios de comunicação quase instantânea.

A produção se modificou, diminuindo o tempo e aumentando a produtividade. As invenções tornaram possíveis um melhor escoamento de matérias-primas, bem como de consumidores e também favoreceram a distribuição dos bens produzidos.

2ª Revolução Industrial (Fase 2)

A Segunda Revolução Industrial diz respeito ao período entre a segunda metade do século XIX até cerca do século XX, tendo seu fim durante a Segunda Guerra Mundial. A industrialização avançou os limites geográficos da Europa Ocidental, se espalhando por países como Estados Unidos, Japão e demais países da Europa.

Aprenda mais sobre a Segunda Guerra Mundial.

Essa fase tem como principal característica os avanços tecnológicos maiores que os da primeira fase, assim como o aperfeiçoamento de tecnologias já existentes. O mundo experimentou novas criações que aumentaram ainda mais a produtividade e, consequentemente, aumentaram os lucros das indústrias. Nesse período também houve um grande incentivo às pesquisas, principalmente no campo da medicina.

As principais invenções da 2ª revolução industrial estão relacionadas ao uso do petróleo como fonte de energia, utilizado no motor à combustão. A eletricidade começou a ser usada para o funcionamento de motores, em especial os elétricos e à explosão.

3ª Revolução Industrial (Fase 3)

A Terceira Revolução Industrial, ou Revolução Tecnocientífica, teve seu início na metade do século XX, após a Segunda Guerra Mundial. Essa fase constitui uma revolução não somente no setor industrial, uma vez que passou a associar o desenvolvimento tecnológico voltado ao processo produtivo ao avanço científico, deixando de se limitar a somente alguns países e se alastrando por todo o mundo.

As transformações possibilitadas pelos avanços tecnocientíficos são vivenciadas até os dias atuais, sendo que cada nova descoberta representa um novo patamar alcançado dentro dessa fase da revolução, consolidando o que ficou conhecido como Capitalismo Financeiro.

A introdução da biotecnologia, robótica, avanços na área da genética, telecomunicações, eletrônica, transporte, entre outras áreas, transformaram não somente a produção, como também as relações sociais, o modo de vida da sociedade e o espaço geográfico.

Todo o desenvolvimento proporcionado pelos avanços obtidos nas inúmeras áreas científicas associam-se ao processo de globalização na 3ª revolução industrial.

Confira o artigo completo sobre o que é a globalização.

Revolução Industrial no Brasil

Após a independência do Brasil aconteceram somente algumas iniciativas isoladas em instalar indústrias no Brasil. No começo do século XX, algumas fábricas têxteis surgiram em São Paulo e no Rio de Janeiro. Entretanto, a industrialização no Brasil só começou de fato em 1930, cem anos após a Primeira Revolução Industrial.

Durante o governo de Getúlio Vargas, a centralização do poder no Estado Novo criou condições para que o trabalho de coordenação e planejamento econômico começassem. Vargas enfatizou a industrialização por substituição de importações.

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) desacelerou a industrialização no Brasil, uma vez que as importações de máquinas e equipamentos foram interrompidas. No entanto, o Brasil fundou em 1941 e 1942 a Companhia Siderúrgica Nacional e a Usiminas, respectivamente. Após a Segunda Guerra, o Estado retornou às suas atividades de investidor e impulsionou a criação de indústrias como a Petrobras (1953).

Aprenda mais detalhadamente o que foi e tudo o que ocorreu durante a Era Vargas.

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Redação Beduka
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