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O que é Filosofia Helenística? Definição, principais escolas e filósofos

Filosofia HelenísticaFilosofia Helenística

A Filosofia Helenística é o nome que se dá ao conjunto de escolas filosóficas que ganharam projeção durante o período do Helenismo. Elas têm em comum principalmente a preocupação com a felicidade e a Ética, um dos temas de Filosofia que mais caem no Enem. Entenda tudo sobre ela.

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O que foi a Filosofia Helenística?

Quando a Filosofia surgiu, no século VI a.C., com Tales de Mileto, a preocupação dos filósofos era a de conhecer a origem do mundo, das coisas, dos homens. Eles buscavam a arché (princípio, em grego).

Com o surgimento de Sócrates, a preocupação fixou-se na verdade sobre as coisas: o que elas realmente são.

Os filósofos socráticos, como Platão e Aristóteles, mantiveram essa busca sobre a realidade dos seres. Indo das aparências para a intimidade das coisas, eles fizeram metafísica.

Contudo, após Aristóteles, essa preocupação deixou de ser o centro das investigações e do pensamento. E foi neste momento que surgiu a filosofia conhecida como helenística.

A Filosofia helenística é o ramo filosófico que ganhou projeção após a conquista do território grego realizada pelos macedônios. O interesse dos filósofos que compuseram as diversas escolas do helenismo era voltado para a vida feliz e seus tratados são basicamente sobre ética.

O que foi o Helenismo?

O Helenismo é o contexto histórico no qual a Filosofia Helenística se insere. 

Ele começa com a expansão do Império Macedônio, no século IV a.C., e termina com a conquista dos romanos das cidades gregas, no século II a.C. Contudo, a Filosofia Helenística continua até a cristianização do Império Romano.

Os macedônios conquistaram as cidades gregas no século IV a.C., liderados pelo rei Filipe II. Seu filho, Alexandre, continuou o processo iniciado por seu pai, na direção do Oriente, conquistando os territórios mesopotâmicos, egípcio e da Índia.

No império construído por Alexandre, houve o encontro de diversas culturas até então distanciadas. Isso levou à mescla de práticas e conhecimentos, com a língua grega sendo usada para a comunicação comum.

Contudo, apesar do enriquecimento cultural mútuo, a dominação macedônica trouxe muitas transformações para o mundo grego, gerando crises. Em momentos assim, de transformações, os helenos geralmente voltam-se para a Filosofia.

Porém, a própria palavra “Filosofia” teve seu sentido alterado. De busca da verdade, passou a significar a atividade que busca a vida feliz, ou a arte destinada a reger a vida.

A Filosofia deixou de ser vista como um saber e ganhou a característica de fundamento da vida. Os filósofos passam a pedir mais do que a verdade e a põem como substituta da religião, das convicções políticas e sociais, inclusive da moral.

Assim, a Filosofia Helenística é o repertório de saberes que dão uma moral mínima e de resistência para a vida em tempos duros, de intensa transformação. A principal preocupação dos autores do helenismo é com a Ética.

Quais são as características da Filosofia Helenística?

Apesar de a Filosofia Helenística ser composta por diversas escolas, existem características em comum entre elas. Por exemplo:

  • o materialismo: boa parte dos filósofos helenistas evitavam a transcendência;
  • a sistematização: isso tornava as correntes filosóficas doutrinas firmes que articulavam saberes de física, lógica e ética;
  • a vida feliz era o objetivo da filosofia que deveria conduzir as pessoas para ela.
  • crítica à entrega às paixões, com a filosofia sendo um caminho para o autocontrole.

No entanto, há muitas diferenças de escola para escola. Vamos tratar delas.

Quais são as escolas da Filosofia Helenística?

As escolas de Filosofia Helenística são várias. Algumas delas surgiram antes do período helênico, mas ganharam projeção durante ele. Vamos ver quais são as principais.

Cinismo

O cinismo foi fundado por Antístenes, um discípulo menor de Sócrates. Ele estabeleceu uma escola na praça do Cão Ágil, de onde deriva o nome com que seus discípulos foram chamados: cínicos, de kynos, que significa cão.

Os cínicos exageravam a ideia de felicidade socrática, mas de forma negativa. Eles a identificaram como a autarquia, ou autossuficiência. O caminho para alcançá-la seria a supressão das necessidades.

Essa compreensão levaria a uma atitude negativa para com a vida e ao desprezo por convenções sociais, riqueza e prazeres.

Estoicismo

A filosofia estóica tem uma ligação muito estreita com os filósofos socráticos moralistas e até com os próprios cínicos. Contudo, existe uma elaboração teórica mais rica.

O Estoicismo foi fundado por Zenão de Cítio. Ele estabeleceu uma escola no Pórtico das Pinturas (Stoá Poikilé), derivando daí o nome do ramo filosófico.

O Estoicismo pode ser dividido em três momentos: 

  • Fundação (protagonizado por Zenão); o segundo é o 
  • Estoicismo médio (protagonizado por Panécio de Rodes), que introduziu o estoicismo em Roma.  
  • Terceira fase (exclusivamente romana e protagonizada por Sêneca).

Os estóicos escreveram sobre lógica, física e ética, mas seu tema principal era a moral. Eles acreditavam que as ideias eram inatas, ou seja, já vinham de fábrica na cabeça das pessoas, como noções comuns, saberes universais.

A física dos estóicos é materialista e admite dois princípios: a matéria e a razão que reside nela, a que eles chamavam de deus. A razão é corporal e se mistura com a matéria como um fluido gerador.

Para os estóicos, Deus e a natureza estavam identificados. E a divindade uniria tudo a partir de suas leis. A ética estóica é derivada desta compreensão sobre uma lei divina, que seria a medida da perfeição.

No estoicismo, a ética também se funda na ideia de autossuficiência. O indivíduo deve se bastar a si mesmo e buscar a felicidade, que é identificada com a virtude. No caso, a virtude é viver segundo a natureza.

Deste modo, se busca a libertação das paixões, o desapego e a aceitação do destino, que gerarão a ataraxia, um estado de imperturbabilidade

Epicurismo

O Epicurismo leva o nome de seu fundador, Epicuro. Ele nasceu na cidade de Samos, mas era um cidadão ateniense. Fundou uma escola num jardim, para onde iam homens e mulheres.

A filosofia epicurista é materialista e retoma a teoria dos átomos de Demócrito, um filósofo pré-socrático. Segundo os epicuristas, tudo é corporal e formado pela agregação de átomos diversos. Até mesmo os deuses. Contudo, eles seriam feitos de um átomo mais fino, o que lhes garantia a imortalidade.

O que mais se fala sobre o Epicurismo é sua doutrina em torno do prazer, conhecida como hedonismo. Segundo Epicuro, o prazer é o verdadeiro bem, mas não qualquer prazer. 

Tem de ser um prazer sem mesclas, sem dor, duradouro e estável, que permita ao homem ser dono de si mesmo.

Isso implica que o prazer é menos físico e mais espiritual. Ele permite ao indivíduo a serenidade e a temperança, que o deixam livre da inquietude e das preocupações.

Ceticismo

O ceticismo pode ser dividido em duas formas. A primeira delas é a tese filosófica de que a verdade não pode ser conhecida; a segunda é uma atitude vital, de quem não afirma, nem nega.

A raiz do ceticismo é a pluralidade de opiniões. Uma vez que muitas coisas foram ditas sobre algo e que muitas pessoas acreditaram nelas, acaba-se perdendo a confiança de que uma verdade será alcançada.

O primeiro filósofo cético foi Pirro de Élis. Ele teve diversos discípulos, que se estabeleceram na Academia platônica até seu fechamento, no século VI d.C. Por muito tempo a palavra “acadêmico” significou cético.

Escola neopitagórica

Foi uma escola inspirada na filosofia de Pitágoras, que surgiu no século I a.C. Não foi muito original, sendo apenas a revalorização do pitagorismo que a precedeu. Manteve as principais características deste último, como:

  • a valorização dos números para compreender o universo;
  • o misticismo;
  • crença na transferência da alma de um corpo para outro após a morte.

Neoplatonismo

O Neoplatonismo é uma corrente filosófica diferente das demais helenísticas, pois trouxe a metafísica de volta para a discussão.

O fundador do Neoplatonismo foi Plotino, no século III d.C. Sua obra está presente num conjunto de seis livros, divididos em nove partes, conhecido como Enéadas.

O Neoplatonismo é panteísta, ou seja, defende que deus e o mundo são um só. As coisas emanam da divindade, ou seja, o ser da divindade se difunde e constitui as coisas, desde os espíritos até a matéria.

Deste modo, esta corrente se afasta do materialismo das demais, como o Epicurismo.

Ecletismo

O Ecletismo é um tipo de pensamento que procura a conciliação entre os que já existem. O interesse é formular sistematizações que superem as divergências entre as demais escolas filosóficas.

Ganhou espaço entre os romanos, que tinham uma cultura cosmopolita. O principal nome entre eles foi Cícero, que não teve ideias originais, mas cujo conhecimento de saberes vindos dos gregos é um recurso para conhecer o pensamento de suas referências.

O trabalho de Cícero também foi importante pelas traduções que ele fez de vocábulos gregos para o latim, que foram transmitidos assim às línguas que derivam dele, como o português.

Quais são os principais filósofos helenísticos?

O período que a Filosofia Helenística abrange é muito grande, por isso os filósofos das diversas correntes são em um número imenso. A seguir, apresentamos os principais, e trazemos também a corrente a que pertenciam.

Cinismo

Antístenes (445 – 365 a.C.)

Diógenes de Sinope (412 – 323 a.C.)

Crates de Tebas (365 – 285 a.C.)

Menipo de Gadara (c. 275 a.C.)

Demetrius (10 – 80 d.C.)

Estoicismo

Zenão (ca. 333 – ca. 263 a.C.)

Cleantes (ca. 330 – ca. 230 a.C.)

Crisipo (ca. 280 – ca. 208 a.C.)

Diógenes (ca. 230 – ca 150 a.C.)

Panécio (ca. 185 – ca. 110 a.C.)

Posidônio (ca. 135 – ca. 51 a.C.)

Catão (ca. 95 – ca. 46 a.C.)

Sêneca (ca. 4 a.C. – ca. 65 d.C.)

Epiteto (ca. 55 – ca. 135)

Marco Aurélio (ca. 121 – ca. 180)

Epicurismo

  • Epicuro ( 341 a.C. – 270 a.C.)
  • Metrodoro de Lâmpsaco (ca 331/330 – ca. 277 a.C.)
  • Colotes (ca. 320– ca. 268 a.C.)
  • Hermarco (ca. 325 – ca. 250 a.C.)
  • Leontina (século III a.C.)
  • Carneisco (século III a.C.)
  • Lucrécio (ca. 99 – ca. 55 a.C.)

Ceticismo

  • Pirro (360 – a. 270 a.C.)
  • Tímon (325 – 235 a.C.)
  • Arcesilau (316 – 241 a.C.)
  • Carnéades (a. 214 – 129 a.C.)
  • Enesidemo (século I d.C.)
  • Agripa (século I – I)
  • Sexto Empírico (160 – 210 a.C.)

Neopitagóricos

  • Públio Nigídio Fígulo (98 – 45 a.C.)
  • Apolônio de Tiana (2 a.C. – 98 d.C.)
  • Nicômaco de Gerasa (60 – século II d.C.)

Neoplatonismo

  • Plotino (204 d.C. – 270 d.C.)
  • Porfírio (232 d.C. – 304 d.C.)
  • Proclo (420 d.C. – 485 d.C.)

Ecletismo

  • Varrão Reatino (116 a.C. – 27 a.C.)
  • Cícero (106 a.C. – 43 a.C.)
  • Sêneca, o jovem (4 a.C. – 65 d.C.)

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