Filosofia

O que é Patrística? Entenda a origem, característica e representantes!

Entenda o que é Patrística, suas características e importância!Entenda o que é Patrística, suas características e importância!

A Patrística foi um período de desenvolvimento da Filosofia Cristã. Nos primeiros séculos, o Cristianismo era alvo de conflitos com pagãos e hereges. Então, buscou defender a fé e a Doutrina Católica usando os conceitos da Filosofia Grega, principalmente a de Platão. Para entender mesmo o que é Patrística, saiba que Santo Agostinho foi o principal representante.

Neste artigo sobre o que é Patrística, você encontrará:

  1. O que é Patrística, qual seu objetivo e relação com a Filosofia Grega
  2. Principais características e autores da Patrística
  3. Santo Agostinho e a importância desse período
  4. Diferença entre Patrística e Escolástica

O que é Patrística e qual sua origem? 

A Patrística é uma corrente filosófica que surgiu na transição da Antiguidade Clássica (Gregos e Romanos) para a Idade Média. Ela recebeu esse nome porque foi desenvolvida pelos primeiros cristãos, ou seja, os Pais da Igreja Católica.

Muitos historiadores consideram que esse período teve seu início a partir das Epístolas de São Paulo e se encerrou no século VIII. Nesse período, o cristianismo estava começando a se organizar, era pouco conhecido e muito perseguido por todos os governos e religiões.

Os cristãos buscavam oficializar seus princípios, pois eram diferentes de qualquer pensamento já visto. Surge o termo grego “Khatolikós”, que significa “universal”. Eles se chamavam dessa forma para levar o Evangelho a todos e se reuniram para compor a Igreja Católica.

Como São Paulo catequizava terras gregas, os cristãos conheciam a filosofia. Assim, a  teologia cristã se desenvolveu pela formação de concílios: reuniões de papas, bispos e padres. 

Havia debates filosóficos e teológicos sobre questões em aberto, definiram dogmas com base na Tradição Apostólica e decidiram quais livros iriam compor a Bíblia

Qual era o objetivo da Patrística?

Pelo contexto em que se desenvolveu, a Patrística foi uma linha filosófica que tinha o objetivo de defender o cristiano dos ataques externos (pagãos e judeus) e das confusões internas (hereges). Embora tenha surgido como defesa, também se tornou uma ótima forma de expandir o cristianismo, pois era por meio da Filosofia que se chegava à fé, convertendo também os intelectuais.

O termo pagão se refere a qualquer povo que não foi batizado, incluindo gregos, romanos e bárbaros. Suas crenças tinham uma moral bem diferente, então perseguiam fervorosamente os cristãos. 

Nessa época, houve os primeiros mártires, aqueles cristãos que morrem por não querer negar sua fé.

Já o termo herege se refere a qualquer pessoa que se considera cristã (todos católicos) mas não está em comunhão com a fé. Muitos convertidos escolhiam as partes que queriam acreditar, de forma que fosse conveniente. Discordavam de alguns pontos já definidos da doutrina cristã e ainda pregavam o oposto em nome da Igreja.

Relação da Patrística com a Filosofia Grega

Grande parte da Patrística está relacionada à filosofia grega de Platão.  Mesmo assim, alguns outros autores gregos foram fontes de conhecimento, mas em menor escala. Plotino e Aristóteles são exemplos.

  • Como isso aconteceu

Naquela época, o Império romano era muito vasto e permitia o comércio entre regiões. Os povos gregos, judeus e cristãos viviam se esbarrando. 

O próprio São Paulo levava o evangelho às comunidades gregas, que foram o destino de muitas de suas cartas. Assim, os cristão conheceram a filosofia grega.

Por mais que cada grupo fosse firme em seus princípios, eles conheciam o pensamento dos demais.

Diante de vários ataques internos e externos, a Igreja sempre organizava os concílios. Nesses debates, os que conheciam a filosofia grega usavam os modelos de argumentação lógica e os princípios metafísicos (parte da filosofia grega que explica o que não é material).

  • O que isso tem a ver?

Os cristão creem que Cristo é o Deus que se fez carne, trazendo a Verdade para o mundo. Porém, também creem que Deus não deixou as pessoas desamparadas antes de sua vinda. 

Assim, os judeus tiveram os profetas para começar a preparar o caminho e os gregos tiveram a filosofia para começar a entender alguns princípios. Quando o Cristo veio e revelou a Verdade completa, os cristãos entenderam sua missão de completar o que estava imperfeito. 

Portanto, é perfeitamente possível que um cristão use aquilo que é verdadeiro no pensamento grego para confirmar sua fé

Relação entre Patrística e Escolástica

Mesmo que a Patrística tenha começado em uma época de transição, a maioria dos autores a classificam como a primeira parte da Filosofia Medieval. Isso porque o cristianismo está enraizado nela, bem como está na Escolástica.

Na Patrística, temos o início da organização do pensamento cristão, baseado na filosofia de Platão e sendo Santo Agostinho seu principal representante.

A Escolástica é uma corrente filosófica desenvolvida no ápice da Idade Média, muitas vezes conhecida como segunda parte da Filosofia Medieval.

Nela, temos um cristianismo consolidado, baseado na filosofia de Aristóteles e tendo São Tomás de Aquino como principal representante.

Dessa forma, Patrística e Escolástica se relacionam por estarem ligadas à Teologia Cristã e serem uma defesa e propagação da cristandade.

A principal diferença entre elas é que na Patrística temos uma predominância da fé e da metafísica. Já na Escolástica, a fé e a racionalidade são lados de uma mesma moeda, e as questões físicas são mais abordadas.

Quais são as principais características da Patrística?

Resumindo as explicações acima, confira as principais características em tópicos para não deixar de lado o que é importante:

  • É um período de transição da Antiguidade para a Idade Média. Porém, é considerada a primeira fase da filosofia medieval por causa do cristianismo. 
  • Sua principal característica era a defesa da fé contra os pagãos e hereges, além da expansão do Cristianismo na Europa.
  • É baseada na filosofia grega, principalmente nas ideias de Platão no que se refere ao modo de argumentar e explicar o mundo usando a lógica.
  • Foi elaborada pelos primeiros cristãos, Pais Apostólicos da Igreja ou Santos Padres.
  • Consistiu na elaboração da doutrina cristã e suas verdades de fé, como liturgia, disciplina, costumes, Tradição e bíblia.

Quais são os fundadores e filósofos da Patrística?

Os primeiros e principais pensadores da Patrística são:

  • São Justino de Roma (século II): considerado o primeiro filósofo cristão, afirmou que o cristianismo era a verdadeira filosofia
  • São Clemente de Alexandria e Orígenes (séculos II-III)
  • Os três capadócios: São Gregório de Nissa, São Basílio de Cesaréia e São Gregório Nazianzeno
  • São Policarpo de Esmirna: discípulo de São João Evangelista, foi mártir e deixou escritos de argumentos lógicos em defesa da fé
  • Santo Agostinho de Hipona: não foi um dos primeiros, mas foi o ápice da Patrística.

Santo Agostinho

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Santo Agostinho é o filósofo de maior destaque da Patrística, é aquele que representa o ápice do pensamento e o principal representante. Sua vida é dividida em dois momentos muito diferentes: antes e depois de sua conversão ao cristianismo. 

Ele nasceu no norte da África, já no início do período medieval e vivia em bebedeiras e fornicações, fazendo tudo que queria. 

Porém, sempre sentiu interesse pela filosofia e começou a estudar o maniqueísmo (filosofia religiosa que acreditava em dois deuses, um bom e um mau), depois conheceu o neoplatonismo.

Já adulto, conheceu o cristianismo e entendeu o sentido da vida, sentindo-se completo, realizado e feliz como nunca. Renunciou a toda sua vida anterior e resolveu se tornar padre. De tanta dedicação e fidelidade ao Catolicismo, com o tempo tornou-se bispo.

Agostinho tinha um empenho muito grande na filosofia e desenvolveu um pensamento  original, nunca visto. Misturava uma variedade de métodos e filosofias que garantiam um trabalho de muito conhecimento e exatidão.

Graças a ele, muitos pontos da doutrina católica foram definidos, elaborados e firmados, como: graça ser indispensável, livre-arbítrio (capacidade de escolher entre coisas boas ou más), pecado original e Santíssima Trindade.

Recebeu o raro título de Doutor da Igreja, sendo alguém que deu consideráveis colaborações teológicas e filosóficas para a Doutrina. É o patrono dos monges agostinianos e sua festa é celebrada no dia de sua morte, 28 de agosto. 

Ele elaborou obras muito complexas filosoficamente e teologicamente, além de cantos e testemunhos. Suas principais obras são:

  • Confissões: conta sobre o processo de conversão e o sentido da vida.
  • Cidade de Deus: com a queda do império romano, Agostinho utiliza toda a situação política e social de sua época para relacionar à importância e fortaleza da Igreja.
  • Sobre a livre escolha da vontade: conceitos filosóficos são usados para explicar que podemos usar a liberdade de boa ou má forma. Quando optamos por nos afastar de Deus, surge o mal. Logo, o mal é a ausência do Bem (Deus). Cada um deve arcar com as consequências de suas escolhas.
  • Sobre a Trindade e obras apologéticas: várias obras que refutam os pensamentos errados das heresias contra a Igreja. É uma defesa e comprovação do Catolicismo, mas sempre deixando claro que primeiro partimos da fé e depois completamos com a razão (filosofia) dentro daquilo que cabe.

Qual foi a importância da Patrística?

A Patrística foi um período de grande importância para defesa e consolidação do Cristianismo, além da expansão da Igreja e consolidação da doutrina. Também foi essencial para resgatar e preservar os clássicos gregos, pois o império romano estava em seu fim e sofreu saques e incêndios dos bárbaros.

É graças ao período da Patrística e Escolástica que conhecemos boa parte da herança  imaterial dos gregos e romanos, conservado e aperfeiçoado nos mosteiros. Esse período também trouxe um crescimento cultural, pois trazia novas ideias não vistas até então.

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