Literatura

Descubra quem foi Eça de Queiróz, suas vida, obras e importância!

Descubra como foi a vida e as obras de Eça de Queiróz!

Eça de Queiróz é considerado o maior romancista Realista em Portugal. Também é um dos grandes escritores em prosa da Língua Portuguesa, ao lado de Machado de Assis. Ele também foi jornalista, advogado e diplomata, chocando a sociedade com as críticas presentes em suas obras.

Neste artigo sobre Eça de Queiróz, você encontrará:

  1. Quem foi Eça de Queiróz
  2. Biografia com dados básicos, infância, carreira diplomática e literária
  3. Características de suas obras
  4. Principais obras de cada fase
  5. Frases de Eça de Queiróz

Quem foi Eça de Queiróz? (Biografia)

Eça de Queiróz é considerado um dos maiores escritores da Língua Portuguesa, ao lado de Machado de Assis.

Ele é considerado o maior romancista e autor de prosas do Realismo em Portugal. As suas obras representam esse movimento porque provocaram escândalo em sua época (“O crime do Padre Amaro” e “O primo Basílio”).

Além de escritor, Eça exerceu também a profissão de jornalista e advogado e foi diplomata. Todas as suas experiências de vida influenciaram de alguma formas as suas obras.

O destaque de Queiróz se deu pela originalidade e riqueza do seu estilo e linguagem, além das críticas sociais constantes. 

Ele foi o único romancista português que conquistou fama internacional nessa época, sendo muito influente no Brasil. No nosso país, seus títulos são populares e muitos deles foram adaptados para televisão e cinema!

Dados básicos e Infância

Foto do rosto de Eça de Queiroz autor escritor romancista realismo

Seu nome completo era José Maria de Eça de Queiróz, nascido no dia 25 de novembro de 1845. Foi na cidade de Póvoa do Varzim, na parte norte de Portugal, que o grande escritor veio ao mundo.

Seu pai era brasileiro e se chamava José Maria Teixeira de Queiroz. Sua mãe era portuguesa e seu nome era Carolina Augusta Pereira de Eça. Os pais de Eça casaram-se quatro anos após seu nascimento, fazendo com que ocultassem o filho nesse período.

Queiróz passou a maior parte da infância na cidade de Aveiro, aos cuidados de sua avó e longe de seus pais. Mais tarde, foi morar no Porto para estudar no Colégio Interno da Lapa. Lá, ele se formou em 1861.

Assim como seu pai, Eça cursou Direito. Na Universidade de Coimbra, ele se graduou em 1866 e acompanhou alguns movimentos estudantis liderados por escritores que revolucionaram a literatura portuguesa (Geração de 70).

Depois de formado, foi para Lisboa morar com os pais. Ele chegou a exercer a profissão de advogado e de jornalista na cidade de Lisboa, mas depois envolveu-se com a política.

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Carreira Diplomática e Literária

Eça de Queiróz iniciou sua carreira literária em 1867 com “Notas Marginais”, folhetins publicados na “Gazeta de Portugal”. Nesse mesmo ano, dirigiu o jornal de oposição “Distrito de Évora”.

Em 1869, atuando como jornalista, assistiu à inauguração do Canal de Suez no Egito. Isso influenciou a publicação de uma de suas obras “O Egito”. Foi nomeado Administrador do Concelho de Leiria em 1870. 

No ano de 1871 fazia parte do Cenáculo, um grupo que discutia arte, política, filosofia e ciência sob uma nova perspectiva. Participou da “Conferência Democrática do Cassino Lisbonense”, em que palestrou sobre “O Realismo Como Nova Expressão de Arte”. 

Junto com o escritor Ramalho Ortigão, publicou a nova novela policial “O Mistério da Estrada de Sintra”. Ainda em 1871, criaram fascículos mensais chamados “As Farpas”, onde publicavam críticas humoradas sobre a sociedade portuguesa de seu tempo.

Em 1872, Eça iniciou a carreira diplomática quando foi nomeado cônsul em Havana (Cuba) e dois anos depois foi transferido para o consulado de Newcastle-on-Tyne (Inglaterra).

Em 1875 publicou “O Crime do Padre Amaro”, uma obra polêmica criticando violentamente a vida social portuguesa. Nela, abordava desde o clero até os valores burgueses e da sua pátria.

Em 1878, Queiróz foi transferido para o consulado de Bristol (Inglaterra). Nesse ano, publicou “O Primo Basílio” tratando sobre adultério e decadência da família burguesa.

No ano de 1880, passou a escrever para a Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, Brasil. Três anos depois, tornou-se sócio da Academia Real das Ciências. Em 1885 visitou o escritor revolucionário francês Émile Zola, em Paris.

Casou-se com Emília de Castro Pamplona Resende em 1886, aos 40 anos. Ela era uma jovem de família aristocrática e, juntos, tiveram quatro filhos: Alberto, Antônio, Maria e José Maria. 

Em 1888 foi nomeado cônsul em Paris e publicou “Os Maias”. Esse foi o marco de uma nova fase em sua carreira literária, deixando a sátira e tomando rumos mais construtivos. Tornou-se amigo do grande representante do Parnasianismo brasileiro: Olavo Bilac. 

Ao final, abandonou os elementos realistas e começou a abordar princípios moralizantes, passando a ideia de que o valor da existência reside na simplicidade. 

Nesse momento, publicou “A Ilustre Casa de Ramires”, “A Cidade e as Serras”, “Suave Milagre” e escreveu biografias religiosas.

Eça de Queiróz morreu em Neuilly-sur-Siene, na França, no dia 16 de agosto de 1900 aos 59 anos de idade.

Características das Obras

As obras de Eça de Queiroz não foram todas homogêneas (de um mesmo estilo). Na realidade, elas podem ser classificadas a partir de três diferentes fases: 

  • Primeira fase: um escritor ainda influenciado pelo romantismo português, mas atento ao surgimento da escola realista. É um período de transição e amadurecimento.
  • Segunda fase: suas narrativas já estão totalmente alinhadas ao Realismo e é nesse período que ganhou destaque.
  • Terceira fase: como foi dito, ao final realismo deu lugar a textos mais imaginativos e leves, que ultrapassaram os limites dos estilos literários.

Independente de como ele começou ou terminou, Eça de Queiróz ficou famoso como expoente do realismo, além de “O crime do Padre Amaro” ser o marco do realismo lusitano (português). 

Por causa disso, vamos enumerar as seguintes características mais marcantes em suas obras:

  • Ironia, humor e até pessimismo
  • Descritivismo
  • Crítica social, política e contra a burguesia 
  • Antirromantismo
  • Objetividade
  • Análise dos comportamentos coletivos
  • Foco no presente
  • Análise psicológica
  • ausência de idealizações
  • temática do adultério e outros fatos cotidianos explícitos
  • novas formas de linguagem com neologismos e mudanças na sintaxe

Enquanto Eça decolava no Realismo, o brasileiro Machado de Assis ainda não tinha feito a transição do Romantismo para o Realismo, e foi um de seus maiores críticos. 

Mais tarde, ambos se tornaram os maiores escritores e é inegável a influência da linguagem irônica que Queiróz exerceu na segunda fase da carreira de Machado.

Principais Obras de Eça de Queiróz

Primeira fase:

  • Prosas Bárbaras, póstuma (1905)
  • Mistério da Estrada de Sintra (1871)

Segunda fase:

  • O Crime do Padre Amaro (1875)
  • O Primo Basílio (1878)
  • O Mandarim (1879)
  • A Relíquia (1887)
  • A Tragédia da Rua das Flores (1877-78)

Terceira fase:

Literatura de viagem:

  • Uma Campanha Alegre, (1891)
  • Cartas de Inglaterra (1903)
  • Ecos de Paris (1905)
  • O Egito (1926)

Frases de Eça de Queiróz

  • “Quando não se tem aquilo que se gosta, é necessário gostar-se daquilo que se tem.”
  • “Houve um filósofo que deixou aos infelizes esta máxima: Se a tua dor te aflige, faz dela um poema.”
  • “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo.”
  • “O amor eterno é o amor impossível. Os amores possíveis começam a morrer no dia em que se concretizam.”
  • “Quem não conhece o poder da oração, é porque não viveu as amarguras da vida!”
  • “Curiosidade: instinto que leva alguns a olhar pelo buraco da fechadura, e outros a descobrir a América.”
  • “Para chorar é necessário ver.”
  • “A distância e o tempo fazem das mais grossas tragédias ligeiras notícias.”
  • “Não há senão o homem, entre os animais, para misturar a languidez de um olhar fino a fatias de foie-gras.”
  • “Só a porção da matéria que há no homem faz com que as mulheres se resignem à incorrigível porção de ideal, que nele há também.”
  • “Tudo tende à ruína num país de ruínas.”

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