Literatura

Resumo de Uma Estória de Amor de Guimarães Rosa + Análise completa!

Resumo de Uma Estória de Amor + Análise - Guimarãe RosaResumo de Uma Estória de Amor + Análise - Guimarães Rosa

Uma Estória de Amor é uma novela de Guimarães Rosa que gira em torno dos acontecimentos de uma festa na fazenda de Manuelzão, o eixo para reflexão de sua velhice. A narrativa traz aspectos do regionalismo e, para entender tudo do resumo de Uma Estória de Amor, é necessário conhecer seu contexto histórico e como se dá a narração!

 Neste artigo com o resumo de Uma Estória de Amor de Guimarães Rosa, você encontrará:

  1. Informações gerais: ficha técnica, sobre o autor e a obra, principais personagens
  2. Resumo de Uma Estória de Amor: narração completa da história
  3. Análise do livro: contexto histórico e interpretação dos símbolos.
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Informações gerais

É importante, principalmente se você não tiver muito tempo para ler a obra completa, conhecer e se recordar dos aspectos técnicos, que podem te guiar na leitura do resumo de Uma Estória de Amor de Guimarães Rosa.

Ficha técnica:

Título: Uma Estória de Amor

Autor: Guimarães Rosa

Ano de publicação: Publicado em 1959 em meio à obra Corpo de Baile e posteriormente no livro Manuelzão e Miguilim em 1964 

Nacionalidade: Brasileiro

Gênero Literário: Novela

Foco Narrativo: 3° pessoa, onisciente. Predomínio do tempo cronológico, com traços do psicológico

PDF: Livro Manuelzão e Miguilim – Uma Estória de Amor

Movimento literário: Terceira fase do Modernismo 

Sobre o autor e a obra

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Guimarães Rosa compôs uma longa obra chamada Corpo de Baile e depois dividiu-a em uma trilogia. Um desses livros é chamado Manuelzão e Miguilim, que é composto por duas novelas: Campo Geral e Uma Estória de Amor.

Uma Estória de Amor é um dos livros cobrados na Fuvest, o vestibular da Usp e um dos mais difíceis e famosos do Brasil; bem como Campo Geral!

Rosa é um dos principais nomes da literatura brasileira do século XX e sua obra foi traduzida para vários idiomas. Ele revolucionou alguns aspectos literários, principalmente pelos neologismos, ou seja, sua incrível capacidade de criar palavras.

Essa artimanha é sua marca e está presente em todas as obras, dando um toque especial visto que as palavras criadas se encaixam perfeitamente no enredo e na mensagem que se quer passar. Além disso, Rosa também agregou muito ao regionalismo, pois retrata o sertão em muitas de suas obras, sendo O grande Sertão Veredas a principal delas.

Principais personagens

  • Manuelzão

É o protagonista, um vaqueiro ingressando na velhice, solteirão, e refletindo sobre sua condição próxima à morte. A personagem de ficção foi inspirada em uma pessoa real, histórica, o mineiro Manuel Nardi, de quem Guimarães Rosa ouviu muitas histórias que foram depois aproveitadas por ele.

  • Adelço

Filho bastardo de Manuelzão, é fruto de um encontro casual do pai que a princípio não o queria. É um homem fechado, trabalhador, não tem muita afinidade com seu pai nem com ninguém. Sua vida gira em torno de sua mulher e filho, exclusivamente. 

  • Leonísia

Esposa de Adelço, é um mulher muito bonita, bondosa e trabalhadeira. Tem carinho por Manuelzão e é considerada por ele um exemplo. Contudo, Manuelzão se sente atraído por ela e sempre tenta reprimir essa sensação.

  • Há outros personagens como Joana Xaviel, Camilo e João Urúgem, que serão descritos durante o resumo de Uma Estória de Amor.

Resumo de Uma Estória de Amor de Guimarães Rosa

Para você compreender o desenrolar da história, dividimos a narrativa do resumo de Uma Estória de Amor em três partes. Acompanhe:

Enredo inicial

O eixo da história é Manuelzão, um homem de 60 anos que de cima do seu cavalo contempla a fazenda, as pessoas e os preparativos da festa enquanto reflete sobre a vida e a proximidade da morte.

Ele vai reconstituindo seu passado e a narrativa vai se desenrolando. Neste estágio da vida, ele é um solteirão que se tornou responsável por tomar conta e administrar a fazenda Samarra, pertencente a Federico Freyre. Freyre nunca aparece, apenas envia cartas.

Como a fazenda era grande e ele vivia só, Manuelzão vai buscar seu filho Adelço, fruto de um encontro casual há alguns anos. Este filho não era muito bem quisto e é descrito como alguém fechado, mesquinho, tude e raivoso com todos. Vivia somente focado em sua mulher e seu filho.

“Leonísia era linda sempre, era a bondade formosa. O Adelço merecia uma mulher assim?” – Manuelzão.

Ainda assim, possui uma esposa chamada Leonísia, que era uma boa mulher: oposto do marido, era trabalhadeira, bondosa, bonita e dona de um grande carinho por parte de Manuelzão. Isso era perigoso pois Manuelzão se sentia atraído por ela mas sempre reprimia suas vontades.

Desenvolvimento

Depois de uma ampla vida de tribulações, Manuelzão também chama sua mãe para morar consigo além do filho. Mesmo que as relações não fossem estreitas, essa atitude demonstrava um provável sentimento de falta de família, de ficar em paz por ter com quem deixar a herança. 

Contudo, sua mãe morreu e havia deixado um pedido: que erguesse uma capela para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Quase que inconscientemente, Manuelzão o faz logo após a notícia da morte. Coincidência ou não, isso ocorre logo após o riacho que cortava a fazenda ter misteriosamente secado no meio de uma noite. 

“(…) Mas cada um sentiu, de repente, no coração, o estalo do silenciozinho que ele fez, a pontuda falta da toada, do barulhinho. (…) O riacho soluço se estancara, sem resto, e talvez para sempre. Secara-se a lagrimal, sua boquinha serrana. Era como se um menino sozinho tivesse morrido.”

Como era costume no interior, para inaugurar a nova igrejinha, esperava-se a chegada de um padre e a festança começava. Enquanto isso, uma enorme quantidade de gente de todas as partes foi chegando. Nas vésperas, Manuelzão não tem mais controle sobre os elementos da festa, só se preocupa em garantir alimentação para tanta gente.

Entre as pessoas, destacava-se João Urúgem, homem extremamente primitivo, às vezes tão colado à terra que é visto de quatro e que chega a cheirar mal, animalescamente. O outro é o Senhor do Vilamão que já foi um homem muito rico e poderoso, mas no presente é caduco

Há também Joana Xaviel, grande contadora de história e que tivera um enlace amoroso com Camilo, homem de passado misterioso, não se sabe se foi déspota e bandido, mas que tinha um ar de prestígio. Havia até quem suspeitasse de um interesse emotivo entre ele e a mãe de Manuelzão.

Desfecho

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O Frei Petroaldo chega, a celebração da missa ocorre no dia seguinte e tudo prossegue com danças e violas, cantigas populares e quadrilhas sertanejas, além da farta comida. 

“Estória! — ele disse então. 

Pois minha mente: o mundo era grande. Mas tudo ainda era muito maior quando a gente ouvia contada, a narração dos outros, de volta de viagens. […] Se batia o sono, no lugar dele manavam a voz daquela Joana Xaviel. As estórias tinham amarugem e docice. A gente escutava, se esquecia de coisas que não sabia.”

Enquanto isso, Manuelzão está mergulhado em problemas. O primeiro é a dor constante que sente em seu pé e o segundo é a necessidade de conduzir uma boiada. No final da noite é que todos esses problemas começam a ser sanados.

Sem perceber, a dor havia sumido e o quadro muda inesperadamente quando Camilo se propõe a contar uma história, o romance do Boi Bonito, um animal que ninguém tinha conseguido domar.

“O único vaqueiro que conseguira domar o Boi Bonito, chamado apenas de Menino, fora dino e não quisera dote ou prêmio pela proeza conquistada, queria apenas que o Boi Bonito pastasse livre naquelas paisagens.”

Em alguns pontos, a história se assemelha a um conto de fadas: um fazendeiro muito rico propõe a mão de sua filha a quem conseguir caçar o famoso boi, mas os vaqueiros que tentaram só encontraram a morte.

Inebriado com a narrativa, Manuelzão se revigora e não sente mais o peso dos sessenta anos nas costas: sente-se pronto para conduzir a boiada pelas Gerais. A narrativa se encerra com o fim da festa e a perspectiva de saída da boiada.

Análise do livro Uma Estória de Amor de Guimarães Rosa

Para que você tenha uma análise completa da obra, separamos em blocos interpretativos. Acompanhe cada um deles para compreender todas as referências:

Contexto histórico

Manuelzão e Miguilim foi lançado um ano depois de o autor ser eleito para a Academia Brasileira de Letras. Contudo, o autor só tomou posse após quatro anos e, infelizmente, faleceu três dias depois.

Nesse contexto acabara de passar pelos diferentes governos anteriores ao golpe militar e se instaura um remanescente cenário de tensão social e política. Ainda assim, o interior ainda era marcado pelos mesmo pensamentos sociais de sempre.

Esse cenário em que o sertão fica de lado pelos governantes, influencia na qualidade de vida dos rurais e até em certo “ficar alheio às questões da cidade grande”. Tudo isso é bem representado na obra.

A narrativa da obra

Narrado em terceira pessoa o narrador não demonstra muito simpatia pelo protagonista. Esse distanciamento é característica das pessoas mais idosas do interior que reparam em tudo mas mantém um certo distanciamento, prezam por sua individualidade e são marcados pelas várias dificuldades que os fizeram assim.

O tempo cronológico está bem registrado, os três dias de festa são bem marcados, mas são permeados pelo tempo psicológico para  trazer essa ideia de eternidade, reflexão da vida, e fazer com que um pouco do mundo todo seja representado naquele cenário dentro da fazenda.

Esse efeito é produzido pela inserção de narrativas encaixadas, entrelaçadas com pensamentos e sentimentos do protagonista e descrições de pessoas e de elementos da natureza.

Interpretação da obra 

A obra Manuelzão e Miguilim (que contém Campo Geral e Uma Estória de Amor) revela a genialidade de Rosa ao construir enredos e linguística. A relação entre eles é que um se trata do crescimento, seja na infância (Miguilim) ou na vida adulta e velhice (Manuelzão).

Ambas as narrativas têm forte presença da oralidade, embora seja desenvolvida em um universo que também dialoga com a alta cultura. Até mesmo o local em que tudo se passa é composição fundamental para a narrativa. Dessa forma, podemos identificar o regionalismo e o contexto histórico dual em que o país e a sociedade se encontrava.

Se na primeira novela, Campo Geral foi retratado a infância e o crescimento de Miguilim, em Uma Estória de Amor vamos para o outro lado da existência. Assim, Rosa consegue fazer um panorama da vida humana que uma pessoa do meio urbano ou rural lê e se identifica, mas valorizando o rural que não era muito valorizado no seu contexto.

Também encontramos a velhice com todas as suas dores: problemas de saúde, o temor da morte, as lembranças e o balanço da vida passada, a consolidação de valores e crença, e um vago desejo de recomeçar algo, corrigindo o passado.

Por fim, há a presença da religiosidade enraizada no interior, mas apenas como suporte para os acontecimento alheios. Embora houvessem missa e capelas, nem sempre se vivia a religião como um fiel. Era mais um costume e herança dos antepassados: o que atraíra toda aquela população era a festa, não a capela em si.

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