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Semana de Arte Moderna: Como surgiu? organizadores e características.

Semana de Arte Moderna Como surgiu organizadores e característicasSemana de Arte Moderna Como surgiu organizadores e características

A Semana de Arte Moderna foi um período organizado por consagrados nomes artísticos brasileiros, com o objetivo de romper ideológica e esteticamente com as Escolas Literárias anteriores. Quer saber quem foram?  Leia nosso artigo e aprenda de uma forma leve e eficiente que fará você nunca mais esquecer o enredo desse grande evento.

Neste texto sobre a Semana de Arte Moderna, você encontrará os tópicos abaixo. Clique em um deles para ir diretamente ao conteúdo:

  1. O que foi a Semana de Arte Moderna?
  2. Como surgiu a Semana que revolucionou a produção literária brasileira?
  3. Os 6 principais artistas participantes e organizadores da Semana de Arte Moderna.
  4. Lista de participantes da Semana de Arte Moderna. 
  5. Como foi o decorrer da Semana de Arte Moderna?
  6. As 11 principais características da Semana de Arte Moderna.

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O que foi a Semana de Arte Moderna?

Você quer aprender definitivamente sobre o enredo que envolve a Semana de Arte Moderna no Brasil? Então leia a história que vou te contar…

Um grupo de amigos que adorava pintar, desenhar e escrever, havia chegado recentemente da Europa. Sabemos que ao viajar, as ideias mudam e os horizontes se abrem, pois bem, foi isso que aconteceu.

Eles retornaram ao Brasil repletos de novas convicções. Uma vontade de contar ao País o que haviam visto e sentido. As antigas palavras rebuscadas pareciam ter perdido o sentido, e após um voo, a liberdade se tornou prioridade.

Uma terrível guerra que assolou o mundo havia acabado de chegar ao término. Não queriam que suas obras se limitassem à apreciação de acadêmicos e abastados . 

Estavam prontos para romper com as correntes do passado e trilhar um novo caminho…Livre, simples, esteticamente imperfeito e humano.

Foi aí que Manuel, Anita, Mário, Oswald e alguns outros artistas tiveram uma brilhante ideia:

Levar ao Teatro uma nova arte, libertar a cultura brasileira das amarras de seus antepassados, rumo à liberdade cultural. Assim, na efervescência de São Paulo, mais de cem obras foram expostas durante uma semana, sobre vaias e aplausos.

Segundo Di Cavalcanti:

“… seria uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulista” 

Como surgiu a Semana que revolucionou a produção literária brasileira?

A Semana de Arte Moderna surge como um ato revolucionário em meio a um conturbado período histórico. Na Europa, as vanguardas dominavam o cenário cultural, espalhando um novo conceito de produção artística.

No Brasil, era o período da República Velha, na qual a política do café com leite dominava os mais diversos setores sociais. Um importante fator nesse contexto, é que a maioria dos artistas do período eram frutos de famílias oligárquicas.

Esse fato facilitou a realização da Semana de Arte Moderna que ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo. O poder aquisitivo também tornou o cenário favorável ao contato dos artistas brasileiros com as vanguardas europeias.

O capitalismo estava em um momento de crescente expansão, a elite paulista e os ideais estéticos retrógrados dominavam o país. O que transformou essa semana em um grande burburinho.

No cenário global, terminava a Primeira Guerra Mundial e uma polarização entre capitalismo e socialismo começava a ser difundida. Diante disso,  os artistas voltaram-se à necessidade da aproximação com a realidade social. 

Todos esses aspectos culminaram na Semana de Arte Moderna ou Semana de 22, entre os dias 11 e 18 de fevereiro, em 1922, que rompeu com as escolas literárias anteriores, com o academicismo e o rigor estético literário.

Conheça os 6 organizadores da Semana de Arte Moderna.

1- Anita Mafaltti

Anita Mafaltti é um importante nome das Artes Plásticas do Brasil. A artista trouxe à Semana de Arte Moderna fantásticas pinturas expressionistas.

Uma das grandes responsáveis pelas transformações culturais da Semana de 22, Malfatti recebeu  pesadíssimas críticas oriundas do autor Monteiro Lobato. 

Publicada no jornal O Estado de São Paulo, intitulada “Paranoia ou mistificação?” Segue um trecho do artigo de Monteiro Lobato:

“Embora eles se deem como novos, precursores duma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranoia e com a mistificação.

De há muito já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. A única diferença reside em que nos manicômios essa arte é sincera, produto lógico de cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses; e fora deles, nas exposições públicas, zabumbadas pela imprensa e absorvidas por americanos malucos, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo tudo mistificação pura.”

2- Manuel Bandeira

Manuel Bandeira nasceu no dia 19 de abril de 1886, no Recife, Pernambuco. Aos dez anos de idade, se mudou para o Rio de Janeiro. É considerado um dos mais importantes poetas brasileiros

Sua obra intitulada “Os Sapos” é uma das mais famosas e mencionadas da Semana de Arte Moderna no Brasil. Sua severa crítica ao parnasianismo e a um modelo estético elitista e tradicional ocasionou vaias e aplausos. Segue um trecho:

Enfunando os papos,

Saem da penumbra,

Aos pulos, os sapos.

A luz os deslumbra.

Utilizou a ironia e a paródia para simbolizar a ruptura com a estilização da poesia.  Manuel Bandeira era adepto dos versos livres, da linguagem coloquial, da irreverência e da liberdade criadora. 

3- Mário de Andrade

Autor de “Paulicéia Desvairada” e adepto da valorização da linguagem simples e do nacionalismo crítico. Sua obra mais aclamada é “Macunaíma”.

Mário de Andrade também foi um dos organizadores da Semana de Arte Moderna, além de ter participado da Revista Klaxon, que servia de divulgação para o Movimento Modernista.

Observe o trecho da obra Paulicéia Desvairada, através da qual o autor abusa do experimentalismo linguístico:

São Paulo! comoção de minha vida…

Os meus amores são flores feitas de original…

Arlequinal!… Traje de losangos… Cinza e ouro…

Luz e bruma… Forno e inverno morno…

Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes…

Perfumes de Paris… Arys!

Bofetadas líricas no Trianon… Algodoal!…

São Paulo! comoção de minha vida…

Galicismo a barrar nos desertos da América!

4- Oswald de Andrade

Um dos principais organizadores da Semana de Arte Moderna em 1922. Foi um ferrenho militante político.

Suas principais características são a ironia e o humor. Foi autor dos principais manifestos modernistas: o Manifesto Pau-Brasil e o Manifesto Antropófago.

Veja através do poema “Os Pronominais” como Oswald promoveu uma ruptura com os padrões literários e a linguagem da gramática normativa:

“Dê-me um cigarro

Diz a gramática

Do professor e do aluno

E do mulato sabido

Mas o bom negro e o bom branco

Da Nação Brasileira

Dizem todos os dias

deixa disso camarada

Me dá um cigarro.”

Para o escritor, o registro do “erro” ou a utilização da linguagem coloquial faz parte da aproximação da realidade social. Uma espécie de contribuição para o fortalecimento nacional.

5- Graça Aranha

Após contato com as vanguardas europeias, tornou- se  um dos organizadores da Semana de 22. Inclusive, foi incumbido de gerenciar o primeiro dia da Semana de Arte Moderna com o discurso  “A emoção estética na arte moderna”. 

Graça Aranha também foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, porém rompeu com a mesma em 1924, em uma conferência denominada  “O Espírito Moderno”.

Segue um trecho da conferência: 

“Ignoro como justificar a função social da Academia. O que se pode afirmar para condená-la é que ela suscita o estilo acadêmico, constrange a livre inspiração, refreia o jovem e árdego talento que deixa de ser independente para se vasar no molde da Academia. É um grande mal na renovação estética do Brasil e nenhum benefício trará à língua esse espírito acadêmico, que mata ao nascer a originalidade profunda e tumultuária da nossa floresta de vocábulos, frases e idéias. Ah! se os nossos escritores não pensassem na Academia, se eles por sua vez a matassem em suas almas, que descortino imenso para o magnífico surto do gênio, enfim liberto de mais esse terror.”

6- Tarsila do Amaral

Importante pintora e desenhista brasileira, foi uma das fundadoras de um dos movimentos mais radicais do período modernista: o Movimento Antropofágico. Sua obra mais conhecida é “Abaporu”.

Tarsila do Amaral casou-se com Oswald de Andrade. Apesar de não ter participado diretamente da Semana de Arte Moderna, esteve envolvida com o ideal, consequentemente foi uma de suas precursoras.

Com temáticas tropicais, repletas de cores e uma valorização do nacionalismo, Tarsila rompeu totalmente com o conservadorismo vigente da época.

Lista dos artistas participantes da Semana de Arte Moderna

  • Mário de Andrade (1893-1945)
  • Oswald de Andrade (1890-1954)
  • Graça Aranha (1868-1931)
  • Victor Brecheret (1894-1955)
  • Plínio Salgado (1895-1975)
  • Anita Malfatti (1889-1964)
  • Menotti Del Picchia (1892-1988)
  • Ronald de Carvalho (1893-1935)
  • Guilherme de Almeida (1890-1969)
  • Sérgio Milliet (1898-1966)
  • Heitor Villa-Lobos (1887-1959)
  • Tácito de Almeida (1889-1940)
  • Di Cavalcanti (1897- 1976)
  • Guiomar Novaes (1894-1979)

Como foi o decorrer da Semana de Arte Moderna?

Primeiro dia

O primeiro dia ocorreu em 13 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. Todas as cadeiras estavam ocupadas, o ambiente lotado, uma aura de grande expectativa permeava a abertura do evento que modificaria os próximos anos da produção cultural brasileira.

A palestra intitulada “A emoção estética da Arte Moderna” de Graça Aranha provocou êxtase e uma certa confusão na plateia. Esculturas e pinturas já se encontravam expostas no saguão. Os olhares eram de espanto e um certo repúdio.

Mas uma desconfiante calmaria perdurou durante todo o primeiro grande dia. 

Segundo dia

O escritor Manuel Bandeira foi o grande nome do Segundo dia da Semana de Arte Moderna, apesar de não ter comparecido ao evento. Sua obra “Os Sapos” foi a responsável pelo frenesi da noite.

Com uma evidente crítica ao parnasianismo voltada à rigidez estética do estilo literário, a leitura da obra resultou principalmente em vaias. Em termos de aceitação, a semana parecia estar sendo um fracasso.

Terceiro dia

O terceiro dia configurou em uma platéia vazia. Villa Lobos tocou a um número reduzidíssimo de pessoas e, apesar de uma certa tranquilidade, um acontecimento inusitado acabou sendo considerado afrontoso.

Villa Lobos entrou calçando em um dos pés um sapato, enquanto no outro, uma sandália. Aqueles poucos que prestigiaram o evento interpretaram como mais uma atitude de protesto e desdenho. 

Villa Lobos estava apenas com um calo no pé.

As 11 principais características da Semana de Arte Moderna.

Veja a seguir as 11 principais características da Semana de Arte Moderna:

  • Rompimento com padrões estéticos rígidos;
  • Linguagem simples e acessível;
  • Liberdade criativa; 
  • Regionalismo;
  • Valorização da identidade nacional;
  • Referência as vanguardas européias: cubismo, futurismo, dadaísmo, surrealismo e expressionismo;
  • Críticas às correntes literárias anteriores, principalmente ao parnasianismo.
  • Utilização do humor e da ironia;
  • Experimentações literárias;
  • Antiacademicismo; 
  • Versos Livres;

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